9.10.07

Prato Raso

Se essa cor mesclar,
Talvez tudo se resolva.
A carência é um prato raso,
Cujo fundo enche, mas não sacia.
Um pôr-de-sol é um fim sem fim,
Pois o amanhecer furta seu brilho a cada dia,
E nessa briga se encerra uma disputa:
Os dias não têm domínio sobre o tempo.

Escravos,
Vivemos em contagem regressiva.
Á espera de um próximo rosto,
Uma face que em mistério desfigure o sentir.
Os pés afundam na areia sóbria,
E por validade indeterminada,
A fome engana o céu.
E o prato raso talvez pareça fundo,
E o sonho talvez se faça calmo,
Vulcão adormecido...

Quando o vento dobra a esquina para me encontrar,
O prato cheio fica torto.
Toda a sede se esparrama pelo chão.
A razão dissolve a lava,
E o controle é meu refúgio.
E mesmo assim o cheio era vazio,
E a morte trôpega dessa ilusão,
Difama o resto de luz.
Que venha o eclipse,
Aqui jaz o destino em suas mãos.

Tento alcançar a lua esticando os braços,
E tudo que ganho são marcas.
Na estrada da dor caminho até de olhos fechados.
O que incomoda, incomoda.
O que eu senti eu sinto.
Para mudar tudo não se muda nada.
Para ver, finge-se tapar os olhos.
E ainda hoje, o indecifrável me seduz.

O enterro das ilusões é utopia sutil.
Toda tradição é um sonífero,
Que bebo para sentir o gosto da diplomacia.
Atuar é uma benção,
O jogar é um vírus que precisa ser cultivado,
O início é apenas uma forma de conquistar o fim.
O berço corrói, condena, ou diverte?
No meu mundo, decido EU.

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