16.1.13

Hipnose

O momento da hipnose. O ar, o som, a mentira. O faz de conta das palavras que são fáceis de tragar. 
O tempo, a vida, a sombra. A colocação contraria do que se diz. 
A sabedoria, a comunicação: a inteligência que escorre. A sobreposição do que morre.
O sentido, ferido, um passo firme. A volúpia, a volúpia, o tom. 
São tantas as coisas que se sabe, quando não tem ninguém por perto.
São tantas as coisas que se vê, quando todas as possibilidades estão em aberto. 
O que se quer, o que se quer, o que se quer é o inverso.
A sublimação, o veneno, a cura. O dia a dia, o torpor. A impossibilidade. 
De cor em cor, o serpentear do caminho. 
A mudança, a mudança, o que se faz de bom.
Aquele momento de por tudo em seu lugar. 
O tempo que se têm para absorver a sanidade e manter o pé no chão. 
O brinde, o brinde a ser mantido, imaginado, temido. 
A liberdade que se delineia, entre traços e curvas.
Possibilidades obscuras, silêncios, aventuras.

2.7.12

This could either silence itself through the ages or settle around and exist.
Kaleidoscopic memories shifting from age to age like the colors of old, creating and moving like a serpent.
It was static, it was all over, and it was seductive and blind.
Transforming the present time, clockwise thirsty, dry and wet as water would never be.

This could either lie down or become the action it was meant to be and quietly subdue the hours into seconds.
Making room for a subtle doubt to mount the horse of freedom and go away.
We could either exist or simply stop existing in the same place and time, to add to and for a resolute deception of touch.

This could either crawl around the edges of hope and whatever else, or be quiet as mornings instead, in a city where sleep is no more.
We have awakened and the drug is restoring our brains, so we could either kill everything at the source and let it die, or resolve the riddle and let it live.

This will always solemnly march its way into our thoughts and it will pretend to pour a last cup and fill a last fill, until it goes back to the very beginning and starts it all over again.
Fulfilling the very prophecy of fear we have created to save us from our immense light.
This truth will resound in our lives, connecting us so we’ll just have to embrace light and breathe.
For destiny could only account itself permanent if the stars decided to lie on our behalf.
Given the day when we choose, everything else would in fact let us be,
for nothing this old can bear any insignificance, and even the universe would raise the bets on the sordid game we play.

30.6.12

Lucidez



E por um momento, a lucidez se fez presente, e pude internalizar algo sagrado. Se conseguíssemos transpor o rebuliço do ego, a loucura imediatista na qual parecemos viver a cada dia, as companhias que nada acrescentam e prazeres mesquinhos que acabam por se mostrar uma imensa perda de tempo, talvez pudéssemos ver com clareza o propósito real que carrega o viver. Ao invés de nos sentirmos vazios e perdidos quando tudo parece estar dando certo, financeiramente, profissionalmente ou até afetivamente, enquanto que no fim do dia ainda nos sentimos imersos em tristeza e uma imensa 'falta de' que nunca parece cessar. 

É que nada disso importa se o estagio inicial de realização não existir. E a realização se confunde todos os dias com as necessidades primevas, mas nada tem a ver com elas. Não falo de alimento, prazer, sucesso financeiro e companhia. A realização inicial é energética. Se a energia não flui, até o que funciona ganha um tom amargo e parece errado. Sem energia desconstruímos nossos objetivos e conquistas e todo o caminho percorrido parece inútil. (Acabo de ter um flash de realidade, um pequeno momento no qual posso ver e realmente enxergar, no qual o que eu devo fazer parece claro. No qual existe paz.) 

Paz e lucidez. Podemos viver anos sem estes, mas quando surgem renovam toda uma vontade. Devo agradecer, eventos recentes na minha vida me permitiram perceber que de fato não existe sucesso sem equilíbrio. E eu, que me vangloriava de fazer o que é certo me deparei com a contradição inconfundível de ver e sentir minha energia parada, criando mofo, realizando apenas por demanda alheia. Sobrevivendo de migalhas do meu próprio esforço. Que, sem perspectiva, apenas trabalha e se esgota em exaustão gratuita. 

Obrigada, a ajuda veio quando eu menos esperava. E o rebuliço interno que a sua presença provoca me deu um clique de clareza que eu não tinha há anos. Como se a névoa que estava sob meus olhos tivesse de fato se transposto para outro lugar, me permitindo ver e sentir além do que eu estava acostumada. 

Ideologias tortas e a pressão social de estar sempre me movendo e realizando tiraram toda a delicia e o êxtase que eu via em viver. E agora percebo, que o caminho que eu trilhava quando criança era mais lúcido, mais correto e melhor do que o que eu trilho agora. Tentar te mostrar como faz para manter um equilíbrio energético me fez ver que eu tenho todas as ferramentas para tal, mas estas se encontram enferrujadas por falta de uso. 

O caminho é mesmo a viagem mais importante. Quando me vangloriava de ter encarado nos últimos anos uma independência financeira e afetiva e ter de sido bem sucedida em ambas, estava desconsiderando a principal conquista. Quando estamos bem o suficiente para nos reabastecermos mentalmente e energeticamente, mesmo em meio a um evento desagradável ou uma situação difícil, então existe equilíbrio. 

E a sua busca pelo equilíbrio influenciou a minha percepção de equilibro. De fato, nos ajudamos mutuamente, já que a nossa conversa repleta de reflexão imprimiu em mim uma vontade de ver além, e me lembrou que as minhas crenças tem sim, um propósito muito claro. The veil has been lifted. E o equilíbrio é nada mais do que o centro de tudo isso. 

Então, novamente, obrigada. É bom saber que alguém mais está na busca. É bom saber que você está na busca. 

E em meio ao muito que temos em comum, esta seja talvez a nossa principal afinidade.

N. 

14.6.12

Scars

Insanity was the modus operandi. Every song changing tempo, lacking something, anything: voices, open eyes, truth. To breathe was too much. Securing any vows, playing games I never meant to. Lying to me. And worse: believing those lies. The end saved my everything.  Life crawling back into my hands... Freedom. My life, my rules. Changes all at once, clearing the way,  making things simple again. The old garments no longer fit in and maybe they never did. Creative, sleepless nights: I am all in for it. Circling, getting dressed, going home. Pouring some reckless wine, for the red of it. Writing my heart out. Letting it go. I am no one's but I am mine, always. Interference, that was the name. I remember now.  My memory does not forget. It is all about the scars. I love each and everyone of them, shining, making me strong.

10.6.12

Prey

June came and changed everything. All that delusional idea of clinging to someone like there's nothing else, finit. You see, I am of grater importance.  Everything else exists in a secondary position. Without me there is nothing else. There are no traps and there is no one. But there are sunsets and pictures and eyes I can stare for as long as I want. There are absences I praise, people I despise and moments I cannot spare. I am in it for the simplicity. Yet running miles in my head for no reason at all, I am quiet, I am alive.  When I say what I mean I mean what I say:  I am as still as a predator while searching for the right moment to slay the prey. But I am actually waiting for better measurements. Waiting for the realization. Waiting for the right  prey to come by. 

7.6.12

Machismo Feminino

  Tive vontade de expressar toda a minha falta de apreço pelo machismo, afinal, tenho vivido com ele sob o mesmo teto durante toda a minha vida. Quando vejo homens falando que mulheres são complicadas fico pensando se um homem tem ideia do que é nascer mulher, se um homem tem ideia que as demandas nas quais fomos criadas são absolutamente diversas. Vou resumir assim: desde a mais tenra idade, o homem é criado para fazer o que quer, e a mulher é criada para fazer o esperado. Isso por si só já acaba com metade da tranquilidade e segurança de uma mulher, possivelmente durante a maior parte da sua vida adulta. Como professora do ensino infantil, pude observar meninos e meninas durante o desenvolvimento do seu intelecto e personalidade, e, algumas diferenças básicas de personalidade podem ser observadas: a partir dos três ou quatro anos de idade, e as vezes até antes, as meninas são visivelmente mais empáticas e mais dóceis do que os meninos. Enquanto as meninas são empáticas, os meninos aparentam um conforto maior com situações nas quais tem que impor seus desejos. Isso é bom para os educadores, porque afinal, imagina uma turma inteira de crianças não dóceis, não empáticas e com desejos e vontades pouco flexíveis? Acho que iriamos rapidamente desistir de ensinar. Mas o fato de essas diferenças serem claras em tão tenra idade já apontam diferenças cruciais durante toda a vida.
  Voltando ao meu simplismo: homens são criados para fazer o que querem e mulheres para fazer o que é esperado delas. Quando um educador chama a atenção de uma menina, em algum lugar dentro dela ela sente vontade de ceder e agradar. Uma sequencia de situações nas quais a menina é recompensada com agrados, carinhos e presentes quando se comporta bem, acaba por resultar em uma mulher que quer ser perfeita, que coloca o desejo de agradar acima das suas próprias necessidades. Eu duvido que exista uma mulher no mundo que nunca tenha se deparado com uma situação na qual o que é esperado dela é diferente do que ela quer e que tenha acabado por escolher a primeira opção, sem nem saber por que. E depois não tenha pensado: “Mas por que eu fiz isso? Eu nunca quis isso.” De mulher para mulher existem diferenças de criação? Com certeza. Mas alguém, durante todo o processo de formação de uma criança, com certeza fez questão de tentar ou conseguir ‘educar’ uma menina da maneira ‘correta’. Quantas mães não falam com orgulho de suas filhas: minha filha faz tudo (eu não sei como ela consegue) ela estuda, tira as melhores notas, tem um namorado, é cheia de amigos, faz tudo que pedimos a ela, é muito educada, eu nunca vi a minha filha tratar ninguém mal, ou ser grosseira com ninguém. Ok, muitas de nós somos assim, damos conta do possível e do impossível, relevamos e até nos empenhamos para o que é esperado de nós. Uma mulher que faz tudo o que é esperado dela vive na ilusão de que é amada pelo que ela faz e não pelo que ela é. Isso gera uma série de problemas.
  Qual homem nunca viu uma mulher fazer uma coisa e querer outra? De forma que fica parecendo que a mulher em questão não sabe o que quer e que vive mudando de ideia? Possivelmente ela é tomada por louca. E quantos homens não acham que todas as mulheres têm comportamentos desse tipo? Eu concordo. E digo mais: as mulheres que são ambíguas em suas ações estão em constante briga interna. Faço o que eu quero ou o que ele quer? Faço o que eu quero ou o que a minha mãe quer? Faço o que eu quero ou o que o meu chefe quer? E as vezes, essas mesmas mulheres não consideram a possibilidade de fazer o que elas querem. Ou pensam que não tem vontades específicas quanto a determinados assuntos. O condicionamento foi efetivo. Elas foram tão bem educadas que não respeitam suas próprias vontades e desejos. Exemplo: uma mulher deixa a carreira de lado para cuidar dos filhos, porque acha que esse é o seu papel, que ela tem que ser responsável pela educação dos filhos sozinha. Porque ela acha isso? Porque o pai dos filhos dela, por sua vez, foi criado para fazer o que quer, e não vai ceder e voltar tarde do trabalho e ficar com responsabilidades que não precisam ser dele. No caso, a mulher vive a sua vida para os filhos, e no futuro vai esperar que seus filhos demonstrem a mesma devoção por ela – o que não vai acontecer. Outro exemplo, uma mulher quer escolher sua carreira e escolhe o curso que os pais indicam em detrimento do que ela quer fazer. Um homem pode fazer isso também? Pode. Nada impede que um homem também tenha sido bem ‘educado’ para fazer o esperado. Mas no somatório das situações o homem não é absolutamente condicionado para fazer o esperado. Em algum momento o homem encontra modelos masculinos que fazem com que suas vontades sejam respeitadas, ou modelos femininos que servem e satisfazem as suas vontades. Mas vamos voltar ao machismo. Grande parte das pessoas responsáveis por cuidar e educar crianças são mulheres. É caracteristicamente uma profissão procurada por mulheres, existem homens na profissão, mas a quantidade de mulheres é maior. Culturalmente, mães se acham mais responsáveis na categoria de cuidadoras de seus filhos, ou contratam babás, também do sexo feminino. Durante a infância, na qual muitos psicólogos concordam que é onde a personalidade adquire suas principais características, as crianças tem maior contato, no dia a dia de suas vidas, de modo geral, com mulheres.
  Então porque as mulheres colocam a culpa do machismo nos homens? O machismo pode ser reforçado por homens, cultuado por homens e mantido por homens. Mas o machismo em seu princípio é perpetuado de geração em geração pelas mulheres. Se alguma mulher quiser me bater neste momento, eu compreendo. Mas são as próprias mulheres, tendo sido condicionadas para não obedecer e respeitar seus desejos mais íntimos, que conseguem criar seus filhos de forma diferente de suas filhas. Que aceitam situações diversas de seus filhos, assim como aceitam de seus maridos. Mas que não encorajam suas filhas a descobrir quem são, e que, por meio do condicionamento no qual elas mesmas foram criadas, permitem que suas filhas se sintam culpadas quando não fazem o que é esperado delas. Criam assim um ciclo que culpa que se renova de situação em situação. Mulheres que fazem tudo pelos outros para garantir serem amadas e bem quistas. Mas como essa garantia não existe para ninguém, a frustração traz à tona mulheres partidas, que não conseguem se reanimar, pois foram enganadas desde o princípio. Assumiram o que foi esperado em detrimento do que queriam, para no fim das contas não receber nada em troca. Não existe nenhuma mulher no mundo que não tenha passado por uma situação dessa ao menos uma vez, e se ela existe, por favor, quero conhece-la. Homens passam por isso? Talvez sim, talvez não. Mas na minha humilde opinião, mulheres passam por isso todos os dias. A cada escolha uma mulher bem resolvida tem que se perguntar “se eu fizer isso, vai ser porque eu quero ou porque alguém quer?” e “se eu topar fazer isso que a outra pessoa quer que eu faça, eu estou topando porque não tem problema, ou porque espero ganhar alguma recompensa por isso?”. Essas coisas acontecem com pessoas em geral? Não só mulheres? Talvez sim, talvez não. Mas posso afirmar que acontece com as mulheres mais do que deveria. Chegando a ser patológico. E mesmo uma mulher que respeita suas vontades precisa fazer escolhas racionalmente, pois corre o risco de deixar o barco correr e perceber que se tornou submissa.
  Mas isso é de fato machismo? Essa síndrome da perfeição feminina é a essência do machismo. Porque difere radicalmente da forma como funciona a persona masculina, na qual seus desejos devem ser respeitados doa a quem doer, o que resulta em homens mais felizes com suas escolhas, afinal, foram de fato suas escolhas. A frustração masculina existe quando o homem não consegue o que quer, ou não sabe o que quer, ou tem medo de assumir o que quer. A mulher tem medo de querer e ponto. O que vão dizer as pessoas? Será que elas vão me amar se eu fizer o que eu quiser? Será que eu ainda serei uma boa mulher se eu fizer isso? Como se toda e qualquer situação colocasse o seu “eu” em cheque. O homem aceita o que ele quer. Respeita o que ele quer. Se alguém quiser que ele faça diferente, azar. Isso é ótimo. Bato palmas. Nós mulheres temos muito a aprender com os homens, por que a eles, foi dada a escolha de ser desde o princípio. Em suma, nós mulheres temos que racionalizar nossas escolhas e mudar nossas opiniões do que devemos ser para o que queremos ser o quanto antes, para não correr o risco de perpetuar a maneira como fomos ‘educadas’. É limitante pensar que não podemos ser perfeitas? Sim. Mas é também uma ilusão pensar que podemos fazer o que os outros querem e ser de fato felizes. O homem aceita que o que ele quer e o que ele é só pode ser perfeito, porque é seu. A mulher aceita que o que ela quer tem que caber no que os outros querem, e aí sim, se limita a agradar.

28.5.12

A veil was lifted, I can finally see beyond your fog. I have wishes that can be now, I am able to exist. I am no longer trapped  in between your  wanting, I am not yours to keep or to boss, taste or even limit: I am mine.  You are free to be happy elsewhere, I release you from our storyline.  I like your absence, I like that it says little or nothing at all, I like not to share plans with you and I like not to have to see them crumble around like a pile of senseless cards. We were a lousy pair - for I yielded every single day to your liking.  Mine was subdued and crawling around, begging to be left alone, begging to exist. So you made a selfish monster out of me. I shan't yield anymore. My wishes and desires shall be sacred. And I stand pleased, yet alone. Above all, free to do whatever I want in the company I see fit. So, come to think of it...  Thank you. I shall survive with honors.  Being who I am, with all my likings in place. Actual freedom, for a change.