Eu andei sozinha.
Cada passo um trago de coragem...
O quanto andei só as pernas sabem ao certo.
Andei com todo o peso a se libertar de mim,
E me senti leve, solta, livre.
Intensa.
Intensidade é um jogo,
E andei com toda a intensidade do mundo presa aos meus pés.
E fiz do chão o ar sem substância.
A intensidade me manipula e se faz senhora do meu arder.
Torna-se um pano imenso e atraente, belo como qualquer sonho.
Um véu, transparente e fosco, guardando segredos dentro de si.
É através dela que conheço o sentir.
Me toma e me faz escrava de um poder nulo,
O poder de sentir-me viva.
A intensidade me entorpece,
E me convence de que tudo é infinito.
Finais são apenas novos começos.
Novas estradas chamando meu nome.
Não me prendo a qualquer determinismo barato,
Que possa cortar as asas do meu infinito.
Nada é. Tudo muda.
E talvez a inconstância seja incrivelmente sedutora.
Não uma inconstância sem caráter,
Mas a inconstância que é a vida.
Se tudo sempre fosse fácil e igual,
Viver não seria um desafio.
Eu andei sozinha,
E para mim foi um desafio.
Eu me fiz sozinha.
Cortejando a independência cega e concreta.
E moldei meu mundo a partir de certezas que me faziam forte.
Solitária razão do sangue,
Alimentando o corpo sem pedir nada em troca.
Simbiose... E vazio.
Não quero ser sangue, nem quero me ruir em corpo.
Quero ser sangue e corpo, juntos,
E qualquer complemento será distração.
Hoje eu me sinto uma parte inteira,
E não quero uma compaixão dormente,
A me roubar a intensidade.
Não quero ser escrava de uma dor,
Não quero um céu em pedaços,
Sem memória, sem perdão.
Não preciso mais que acredites em mim.
Porque eu acredito e confio em mim mesma.
Sou o arco-íris depois da chuva.
Sou o tempo fora do compasso,
Sou uma vela acesa,
Um sorriso em meio á uma lágrima.
Uma impotência cheia de força,
Vulnerável apenas em certos cantinhos da mente.
Eu me permaneço completa.
Sirva-me o universo,
Porque dele sou discípula.
E me ceda o carinho,
E uma certeza que não seja quadrada.
Sei que não me faço uma rosa presa no canvas,
Sei que a liberdade pode ser uma ilusão,
Mas também sei que eu sou real,
E talvez, alguém no mundo,
Seja real também.
Mistifica-se o verso, sem que signifique nada no tudo, sem que seja exceção á regra. Diria, sem medo nem voz, que se é um dia, que se o viva na poesia. Poemas e textos de Nadja Lopes
10.1.06
9.1.06
Se Finit
Quando eu entro aqui dentro o nosso mundo começa,
Ao encostar da porta, ele acaba.
Vazio, pesado e curvo,
Esse lugar lindo se esvai,
Vai guardar sua dor noutro lugar.
Se finit.
Abarrota o sentido das coisas,
Que esperança é o sulco desse olhar difuso.
Mas de sonhos se constroem castelos, e talvez uma realidade tensa,
Que sorrateira incide nesse por de sol.
Por-se-á no céu com um tique,
Um certo marchar de carruagem...
Que de tão seco será intenso e nunca, jamais, será igual.
Igualidades me condenam.
E num passe, o redor é vale,
Um lugar solto, onde as rosas se jogam no vulcão em transe.
Asas para voar aqui solidificam,
Não há para onde voar,
O teto é baixo,
A luz é fraca,
O dia é noite.
A garra desse chão escuro é densa.
De garra densa se faz alma e névoa.
Que um dia, será forte e concisa.
Na intragável fonte do sentir,
Abro-me em pétalas azuis,
Que esse futuro próximo é em paz.
Pinto a noite de preto porque foi minha também,
O céu dá apenas a lua como garantia de lanterna.
E nuvens passam,
Como pinceladas num achar contínuo, cheio de inseguranças sem par.
Debruço-me no silêncio que encanta o mar,
Que hoje a luz é clara e o dia é belo.
E a noite do medo já se vê bem longe...
Campo aberto em som se faz audível,
Canto a peito calmo,
E é tenso ver-te em sonho.
Mando buscar um copo d'agua,
Que é pra lavar a alma e engolir a vida.
Para saciar aquela minha sede
Que é insaciável.
Ilusão compacta e sóbria,
E me vejo a bater nas mesmas portas e esperar resposta.
De tudo um nada se fez louco tragar paixão.
De novo um sonho bebe sua nesga de luz.
Uma baforada do passado,
Tingindo o bordô de culto.
Num outro lugar,
Noutro tempo,
Tudo se faz tão claro quanto uma original difusão de idéias.
Bater de asas das borboletas.
Mais de cem, todas amarelas,
Dançando no ar em coreografia disforme.
Nesse dia, o disforme se tornou sinônimo de beleza.
Nem todo o charme se desfaz em luz,
Nem toda beleza é bela de se admirar.
Nem todo dia é dia,
Nem toda noite é noite.
E por mais clara que seja, toda definição é um pouco vazia.
Que neste lugar vulcânico,
Definições são mentiras,
O diálogo é livre,
Mas os conceitos são pobres,
Belos, grandes, charmosos e pobres,
Feios de se admirar.
Querer é a única utopia concreta,
Pois que o querer não codifica,
Apenas quer.
E esse querer pequeno, mesquinho, poderoso,
Não enche barriga.
Queria dizer que já não sinto o sangue subir nas veias e saltar dos poros.
Mas tentaria sinceramente não totalizar,
Que num querer ingênuo e cego transformo em mar o céu.
E seria singelo crer, que nada disso é, nada disso foi, e o que foi será.
Seria um rodopio na ordem das horas que compõe o dia.
Meu querer é claro, e nem por isso mentiroso.
O que quero não se resume em pessoas, dias, horas ou paz.
Não é honraria qualquer, não é utopia barata.
Não é a mera segurança do sentir estático,
Mas é a volúpia que desintegra qualquer senso de tempo, que me impulsiona.
Por vezes soube apenas absorver, sem o trago bêbado da analise,
E me tornei invencível ao poder das horas,
Inexisti o andamento pedante, e fiz do tempo infinito.
Se o tempo se fez infinito ou se eu o fiz insignificante, não sei.
Mas sei que agora o teto é alto o suficiente para que eu possa voar,
E talvez, o teto seja uma ilusão de ótica, auto imposta para me manter presa e codificável, transparente, definível, previsível, um mistério solucionado.
Fiz minha escolha,
Escolhi ser eu.
Sem cortes e sem travas, eu, indefinível.
Pois que é definível e estático tudo que nunca cresce.
Escolhi não trabalhar com suposições.
Seria um escudo forte o suficiente para me salvar de mim mesma?
Claro.
Que o que quero na verdade, não é fácil, mas é plenamente alcançável.
Não necessariamente se dá por esforço.
Algumas pessoas ganham o que quero de mão beijada,
Outras têm que batalhar para conseguir.
O que quero, não é nenhuma espécie de síndrome da perfeição.
O que quero, não é um ter tirano,
Não é um possuir egoístico.
O que eu quero senhoras e senhores,
É algo como a simplicidade do desinteresse,
Acredito que esbarrei com isso um dia,
E eis que fugiu ao largo, silencioso e implacável tempo.
Banhado com o medo de sentir,
Escorregando pelas mãos entreabertas...
Não quero o querer, não quero falta de mérito,
Não quero a estupidez ignorante.
Não quero a impotência vulnerável que acompanha as mãos atadas.
Não quero um destino escrito e pronto,
Quero escrevê-lo.
Não me quero atracar a nenhum porto seguro.
Meu porto seguro é bem mais digno do que um descanso prolongado á beira de um sonho.
O que quero, ainda está por ser quisto.
Quero ver quem contém a chave do meu mistério...
Por enquanto, quem já a conheceu por alto um dia, á perdeu por descuido.
Morte á estatística.
Eu sei bem como inexistir qualquer teto.
Garras no dia claro,
E que seja claro o dia,
Como não soube ser a noite,
Mas que ás vezes seja escuro,
Para não cegar meus olhos com a ignorância.
Um dia, não haverá mais mistério.
Não cortejo a sua ausência,
Mas não imploro a sua presença,
Há quem diria que seria indiferente.
Eu diria que definições são mentiras,
Ideologias que se veste para enxergar a verdade com mais conforto.
Morte ao maldito fruto dos pensamentos impensados, porque dele resultam erros incalculáveis, e conseqüências cheias de lágrimas.
by nady
Ao encostar da porta, ele acaba.
Vazio, pesado e curvo,
Esse lugar lindo se esvai,
Vai guardar sua dor noutro lugar.
Se finit.
Abarrota o sentido das coisas,
Que esperança é o sulco desse olhar difuso.
Mas de sonhos se constroem castelos, e talvez uma realidade tensa,
Que sorrateira incide nesse por de sol.
Por-se-á no céu com um tique,
Um certo marchar de carruagem...
Que de tão seco será intenso e nunca, jamais, será igual.
Igualidades me condenam.
E num passe, o redor é vale,
Um lugar solto, onde as rosas se jogam no vulcão em transe.
Asas para voar aqui solidificam,
Não há para onde voar,
O teto é baixo,
A luz é fraca,
O dia é noite.
A garra desse chão escuro é densa.
De garra densa se faz alma e névoa.
Que um dia, será forte e concisa.
Na intragável fonte do sentir,
Abro-me em pétalas azuis,
Que esse futuro próximo é em paz.
Pinto a noite de preto porque foi minha também,
O céu dá apenas a lua como garantia de lanterna.
E nuvens passam,
Como pinceladas num achar contínuo, cheio de inseguranças sem par.
Debruço-me no silêncio que encanta o mar,
Que hoje a luz é clara e o dia é belo.
E a noite do medo já se vê bem longe...
Campo aberto em som se faz audível,
Canto a peito calmo,
E é tenso ver-te em sonho.
Mando buscar um copo d'agua,
Que é pra lavar a alma e engolir a vida.
Para saciar aquela minha sede
Que é insaciável.
Ilusão compacta e sóbria,
E me vejo a bater nas mesmas portas e esperar resposta.
De tudo um nada se fez louco tragar paixão.
De novo um sonho bebe sua nesga de luz.
Uma baforada do passado,
Tingindo o bordô de culto.
Num outro lugar,
Noutro tempo,
Tudo se faz tão claro quanto uma original difusão de idéias.
Bater de asas das borboletas.
Mais de cem, todas amarelas,
Dançando no ar em coreografia disforme.
Nesse dia, o disforme se tornou sinônimo de beleza.
Nem todo o charme se desfaz em luz,
Nem toda beleza é bela de se admirar.
Nem todo dia é dia,
Nem toda noite é noite.
E por mais clara que seja, toda definição é um pouco vazia.
Que neste lugar vulcânico,
Definições são mentiras,
O diálogo é livre,
Mas os conceitos são pobres,
Belos, grandes, charmosos e pobres,
Feios de se admirar.
Querer é a única utopia concreta,
Pois que o querer não codifica,
Apenas quer.
E esse querer pequeno, mesquinho, poderoso,
Não enche barriga.
Queria dizer que já não sinto o sangue subir nas veias e saltar dos poros.
Mas tentaria sinceramente não totalizar,
Que num querer ingênuo e cego transformo em mar o céu.
E seria singelo crer, que nada disso é, nada disso foi, e o que foi será.
Seria um rodopio na ordem das horas que compõe o dia.
Meu querer é claro, e nem por isso mentiroso.
O que quero não se resume em pessoas, dias, horas ou paz.
Não é honraria qualquer, não é utopia barata.
Não é a mera segurança do sentir estático,
Mas é a volúpia que desintegra qualquer senso de tempo, que me impulsiona.
Por vezes soube apenas absorver, sem o trago bêbado da analise,
E me tornei invencível ao poder das horas,
Inexisti o andamento pedante, e fiz do tempo infinito.
Se o tempo se fez infinito ou se eu o fiz insignificante, não sei.
Mas sei que agora o teto é alto o suficiente para que eu possa voar,
E talvez, o teto seja uma ilusão de ótica, auto imposta para me manter presa e codificável, transparente, definível, previsível, um mistério solucionado.
Fiz minha escolha,
Escolhi ser eu.
Sem cortes e sem travas, eu, indefinível.
Pois que é definível e estático tudo que nunca cresce.
Escolhi não trabalhar com suposições.
Seria um escudo forte o suficiente para me salvar de mim mesma?
Claro.
Que o que quero na verdade, não é fácil, mas é plenamente alcançável.
Não necessariamente se dá por esforço.
Algumas pessoas ganham o que quero de mão beijada,
Outras têm que batalhar para conseguir.
O que quero, não é nenhuma espécie de síndrome da perfeição.
O que quero, não é um ter tirano,
Não é um possuir egoístico.
O que eu quero senhoras e senhores,
É algo como a simplicidade do desinteresse,
Acredito que esbarrei com isso um dia,
E eis que fugiu ao largo, silencioso e implacável tempo.
Banhado com o medo de sentir,
Escorregando pelas mãos entreabertas...
Não quero o querer, não quero falta de mérito,
Não quero a estupidez ignorante.
Não quero a impotência vulnerável que acompanha as mãos atadas.
Não quero um destino escrito e pronto,
Quero escrevê-lo.
Não me quero atracar a nenhum porto seguro.
Meu porto seguro é bem mais digno do que um descanso prolongado á beira de um sonho.
O que quero, ainda está por ser quisto.
Quero ver quem contém a chave do meu mistério...
Por enquanto, quem já a conheceu por alto um dia, á perdeu por descuido.
Morte á estatística.
Eu sei bem como inexistir qualquer teto.
Garras no dia claro,
E que seja claro o dia,
Como não soube ser a noite,
Mas que ás vezes seja escuro,
Para não cegar meus olhos com a ignorância.
Um dia, não haverá mais mistério.
Não cortejo a sua ausência,
Mas não imploro a sua presença,
Há quem diria que seria indiferente.
Eu diria que definições são mentiras,
Ideologias que se veste para enxergar a verdade com mais conforto.
Morte ao maldito fruto dos pensamentos impensados, porque dele resultam erros incalculáveis, e conseqüências cheias de lágrimas.
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