27.10.09

O segredo

Sentia um desejo incontrolável de expandir-se como cantos,
Romper o limite que cortejava o acordar.
Queria despir-se das algemas que guardavam as mãos, a sinceridade.

Apadrinhou a loucura em seu nascimento para que a passagem fosse breve,
E logo se pôs a modificar as canções que morriam no pulso do peito.
Era o sabor inquieto que calava as paixões que habitam no caminho das veias, na tortura da pele, no viés das idéias.

Dizia serem como asas as manhãs, a voar com a força de rapinas à procura de alimento, a voar com a fragilidade de borboletas ao alçar primeiro vôo.
Dizia serem como anjos os olhos teus a fitar a lua com a expectativa de uma criança.

E se via o fogo, o calor, o avesso, a memória desperta.
O segredo compactua o galope do tempo, o gosto do vento,
O verbo é a configuração do pensamento.

6.10.09

spasm

Things to write about, thoughts absorbed, hands in spasm;

The dream was uninteresting and I’d rather stay awake.

Couldn’t ask delight of better days,

It was enough the wind in my back.

The sun across the moon, the little pauses.


Right now I live; I watch the sun burst, the moon yellow.

Listen to the sound of your lungs,

The air rushing in and out,

Hands silvering the grass green in our shoulders.

Everything else was still, absorbed, written in spasm.

recognition

My head had woken up jumping five thousand feet at each step given. I was walking a mile right there in my thoughts. I had just woken from the sleep of a million years.

The eyes were black and white. Hands numb, for time had passed and my feet were still cold. Cold feet and all, I was there. Shut, quiet. I’m staring at their faces, measuring the feel of your skin. Right now I can’t complain. I can’t pretend the moonlight is of any importance. Listen to the flow... It is pretty much like singing. C’mon, the moves are monochromatic. You might tell me colors matter, well, to whom - I shall ask. You might tell me time and days are essential. I couldn’t tell. My days had only the purpose of living. I’m in love.

I’m in love with my work, I’m a workaholic. I’m in love with the absence of that freaking pressure. I’m in love with the seconds that lead to the next seconds. I’m in love with my French; I’m in love with my lousy Italian. I’m in love with my books. I’m in love with my poorly played piano, I’m in love with my harmonica, I’m in love with my voice. I’m especially in love with my voice. I don’t care if the world agrees, I love it, and so be it.

Nobody makes me search for rocks in the sea anymore. I’m free. I’m free of the crawling fears that creep up your dreams. My dreams no longer hold their breath when people stare. Fuck the rest, my dreams are coming, they are coming out of the dream platform into reality. They are out here.

The walls were black and white and all I could see were your eyes. My hands are quiet, but they are alive. My hands are cold as hell, deep under water. Man, this fire is breathing here, and I don’t care if it is cold. Shut the door, be quiet. I’m staring at their faces, and I like the sound of recognition. Thank God for all this work.

20.9.09

Liberdade

Porque o tempo é de presente, é de futuro, é de partida, é de peito aberto. É de sinceridade. É tempo de beleza, de pôr-do-sol, de vento no rosto, de sorriso, de poesia. É tempo de realizar, de encantar o mundo, de andar nas nuvens, de saber o que se quer, de ter o que se quer.

Toda a beleza do Universo dá a volta no horizonte para entrar na minha vida.

Porque é de luz e é de verdade a beleza. É de energia criativa, de paixão pela vida, é de voz. É de vontade de realizar, vontade ver os sonhos materializados no plano real. Vontade de sentir o bem, de causar o justo, de enamorar-se com os sentidos.

A liberdade pulsa. A liberdade me submerge no infinito. A liberdade é.

E eu não tenho o medo de ser livre. O medo já não divide meu travesseiro comigo. Eu não tenho medo de acreditar na força, na graça e na beleza do Universo.

Existe um lugar para tudo que você tem a oferecer ao mundo. Um lugar para os seus talentos, um lugar para as suas alegrias, um lugar para o seu amor.

Abra-se para o possível, para o impossível, para o imaginável.

Seja você mesmo e conquiste o Universo.

E se errar, erre com vontade, aprenda com o erro, cresça, modifique o status quo. Basta comunicar, e comunicar é e será sempre um eterno desafio.

Não se pode crescer mais rápido. E, no entanto o processo do crescimento é sempre lento e eficiente. E errar é sempre necessário, quem não erra não vive e não aprende nada com a vida. Não se briga com isso. Tudo no seu tempo.

E agora é o momento em que se observa o crescimento, o crescimento mental, a velhice da juventude, a jovialidade da aventura, o mérito da mudança, o sopro da vontade.

É agora que tudo será bom, tudo será viável e o belo será simples, singelo, eterno. É agora que o mundo se abre para que possamos passar, com nossos nomes, nossas idéias, nossos requintes, nossas realidades.

E é agora porque assim o queremos, poderia ser amanhã, poderia ser daqui a dez anos, mas não, é agora que a decisão se compactua, e por isso é agora que escolhemos nosso chão. É agora que conquistamos nosso chão.

Sejamos sensatos, porque adiar as coisas boas da vida? Porque adiar o sucesso, a conquista, o sonho? Porque adiar o pulo?

Entre você e o Universo, com suas potencialidades e disponibilidades, existe apenas você.

7.9.09

(pretexto)

As pequenas flores, os caules úmidos,

Os invernos fora de época, as dobraduras internas,

As mãos banhadas de mel.

A negação do silencio, os pretextos da boca,

O trêmulo da voz.

E a chuva, com suas lágrimas,

Salgando nossas pétalas.


Eis que se desmancham nos dedos,

O lazer das idéias,

A sobreposição das palavras,

O acelerar do tempo.


Aqui correm nossos sentidos,

Na memória do toque.

No calado da voz.

No silêncio contínuo que registra o presente.

6.9.09

Amor?

Existem duas coisas absurdamente atraentes pra mim: responsabilidade e decência. O charme per se não compensa nada disso.
Eu me sinto uma velha nessas horas. Porque uma garota quer um cara gato e legal. Mas na boa, defina legal. Porque legal simplesmente não me parece suficiente. Eu cansei de ser a pessoa responsável da relação, que cuida das pessoas, que releva. Na boa, eu não quero ter que ser responsável por mais ninguém, e eu quero ser cuidada. Eu posso ser forte, mas eu também preciso disso.
Quando eu era mais nova eu era uma idealista, achava que o amor muda, transforma e realiza tudo, quando existe de fato. Mas eu não acredito mais nisso. O amor é um agente oculto, que só realiza por debaixo dos panos. Quem toma as rédeas da vida somos nós. O amor faz parte de nós ou não. E se não fizermos nada, não é o amor que vai resolver a situação.
E tem outra coisa, imagina: o amor está lá, na expectativa de ambos os lados. Mas ninguém faz nada, um espera o outro dar o primeiro passo. Cara, sejamos sinceros. Se você tem alguma coisa pra dizer, diga. Quando você não expressa a sua verdade das coisas o mundo todo sai perdendo. E eu não digo isso metaforicamente.
É que o amor parece algo de importância suprema, exacerbada. As pessoas pensam que o amor faz mal, que o amor é uma prisão. Eu não concordo. Afinal, basta ter mãe para saber o que amor. E o amor está impresso em diversas situações. Quando você dá atenção para um amigo que está precisando, sinto muito, isso é amor. Então não me venha dizer que amar é difícil. Amar é fácil. Difícil é se relacionar com as pessoas, porque ninguém é igual. Amar é tranqüilo, é simples.
Agora, se você quer passar pela vida sem amar ninguém, odeio ter que te contar: definitivamente isso não vai acontecer. É impossível. Um dia você vai se pegar fazendo algo por alguém só pelo prazer de ajudar, e se você não sabe isso também é amor. Porque o amor é composto dos pequenos favores, dos abraços, dos sorrisos. Se você tem medo do amor, não saia de casa. Se você tem medo do amor, você tem medo da vida. Em última instância, o que vale a pena na vida, os bons momentos todos: são e serão permeados de amor. Coisa pouca: sorrisos sinceros, risadas, gargalhadas, compreensão.
Então ame, ou não ame, mas jogue limpo, diga o que você tiver que dizer, não se importe com as conseqüências de ser sincero. Se expor não é algo de todo ruim, e a verdade, mesmo na pior das hipóteses tem suas conseqüências positivas.
É por isso que eu gosto de decência, porque se você é decente, você joga limpo. E se você é responsável, não precisa de babá, você cuida da sua vida, que nem eu cuido da minha. Responsabilidade e decência são pré-requisitos.

20.8.09

Sentidos

Eu me sento e escrevo.
A escrita me jorra.
É sobre mundos e sentidos, é sobre viver e morrer, é sobre amor.
Destes, os sentidos nunca mentem.
Os sentidos são invertidos, subvertidos, canalizados, ultrapassados e convertidos, mas são sinceros.
Eu mutilo as frases, troco, torço palavras, mas os sentidos merecem ser respeitados.
É que são os sentidos que me esclarecem os fatos, eles têm a última palavra.
Os sentidos são vivos.
Desperte seus sentidos.
Imortalize seus sentidos.
Mergulhe, saboreie, despedace seus sentidos.
E se dada à oportunidade, agarre seus sentidos e sublime-os nas palavras.
Traduza-os nas palavras.

Acima de tudo. Arrisque.
Arrisque compartilhar sentidos.

Hear

Can you hear this?

It’s different from everything else.

For days have no lengths, no ground, no sadness.

Sadness seems overrated; fears quiet in their sockets.

Whatever it is, I can’t tell.

No ideals, no ideas, thoughts colorful.

But you can’t hear it, can you?

I’d be surprised to be proved otherwise.

It’s not like music, it’s not like laughter.

It’s way better.

Can your thoughts conceive anything better than music and laughter altogether?

No, neither can mine.

This is different from anything else.

But you have to want it,

You have desire it with every fiber of your being,

You have to beg.

It is deep within.

And you can’t conjure it by yourself.

It is senseless to live otherwise.

Just think…

Music and laughter are within,

You get no cuts, a few bruises and no fear.

Senses won’t be numb anymore.

They will be every bit alive as your best dreams.

If you don’t want it, you can’t have it.

Yes, that easy.

Can’t you guess?

Maybe, you’ll try;

Maybe you’ll live.