16.12.07

cálice

Deite para sempre em berço esplêndido,
O cálice transborda.

Que sangue é esse que te corre às veias,
Que te chama a cor do denso inverso,
Que te coloca a fé do lado avesso,
Que te sopra ao pé do ouvido segurança...

O que é que você sente nesse dia estranho,
Nessa pressa louca,
Nessa tosse seca,
Nessa rouca voz.

Você não sabe o que te toca a mão.
Você nem mesmo sabe,
O que é verdade e o que é mentira,
Na sua tensa ideologia.

Imagina que de olhos fechados,
O mundo é atemporal,
O toque do verso é suave,
A morte da dobra é o som.

E eu ainda não sei tantas coisas,
Eu ainda tenho tantos sonhos,
Tantos versos,
Tanta dor.

E no fim do dia,
A necessidade é amor.

By Nadja