21.2.05

Luto

Diz-me o que o silêncio não faz por quem já não grita,
Como quem não sabe mentir fere a palavra.
Gritar é sofrer porquanto não silencia,
Dor intensa de não querer sentir.
Viver é cadência de jogos.
Ganhar é relativo ao momento.
Ter carinho em mãos não é ter desejo.
Abraçar não correlata querer.
E beijar não promete sentir.
A lágrima não sustenta não cura, não liberta.
Sentir dor é amar.
Até quando as flores do caminho são levadas para longe...
E as folhas não secam apenas se ocultam...
Presença e Ausência completas em segundos
È permitido falar e ferir, mas a resposta um dia alcança.
Não adianta sorrir, que a lealdade condena.
Tenho ânsia de paz, só quero voar pra longe...
A sociedade apodrece porque o indivíduo falha.
Correção revolta,
Conversa acalma,
Atitude auxilia.
E simplesmente olhar não implica ver.
by nady

18.2.05

Dia e Noite

Noite,
O reflexo do sol na telha aberta,
Pés descalços sentindo a terra,
Costas nuas
Expondo cada vértebra.

Céu sem estrelas,
Sol sem luz,
Pássaro sem canto,
Flores sem pétalas,
Árvores secas, folhas mortas.

Máquina do tempo,
Viagem em pedaços.
Folhas no chão,
Estrelas no mar,
Ranger de portas.

Um dia na noite...
Que claramente rompe-se,
Que simplesmente encontra-se,
Reluzente esvai-se,
Calmamente nasce.

Para absorver-se,
Onde jazem outras estrelas,
Onde apaixonam-se os deuses,
Onde almas consomem-se,
Onde noite é dia e dia é noite.

Onde não há dimensão entre espaço e tempo,
E a contagem dos segundos é eterna.

by nadja

16.2.05

Definição


Por que te forças a ressurgir, re-memorizar, re-sonhar, re-sentir, e fazer parte do teu tempo solidão?
Tens como chão o leve enclaustro de um navio...
Tens apenas a ti como perfil de um desafio...
Teu desejo dorme acordado, no inverno gélido de um pesar angustiado.
E a ofegante idéia, a vontade intrigante, se alimenta das folhas verdes do verão, tão perto...
Que nenhum outono te impeça uma paixão,
Sem paixão pelo ar, não se vive...
Que os pensamentos, com um grito surdo de dúvida, não ecoem no sentido da vida que te permeia.
Tenho nas mãos o poder da lua na noite, o prazer do dia de sol, que se enfraquecem em um eclipse diário. Conturbado por agonia única, que nasce por si só, e resiste ao medo de existir.
O peso de uma lágrima, que transforma um segundo, que escorre por um rosto pálido.
E tua vontade reprimida te escorre pelas mãos, teu poder de resistência reside ás margens de uma argumentação nula.
A tua segurança se fundamenta em um milésimo de segundo e se dissipa...
E essa voz cortante, tem nas entranhas desespero. Esse medo uivante, que se espalha no topo de uma montanha, desce pelo córrego que encontra teus lábios, apenas para sanar tua sede.
Teu corpo fala. Tuas veias guiam esse fogo morto. Essa chame viva.
Em determinados momentos, sentes um pouco de vida fluir no olhar. Quando a pálpebra se fecha, a vida se esvai...
Tua sensação respira silenciosa, pensante, pulsante e acaba. E restam as folhas secas no chão, e ainda restam vestígios do último outono.

by nadja

13.2.05

Despir o tempo

O sangue que escorre respira a lagrima pulsante.
Tremor inconstante de um ritmo quieto,
Passos barulhentos a ranger por entre mares,
Singela a voz,
Sussurrante palco...

O sangue que escorre dançante
Flameja lentamente na aurora do porvir
Passos que escorregam em alto mar,
Murmurando sonetos a fim
Silêncio, onda, silêncio, onda, silêncio...
Água, Água, Água,
Tremor inquieto de um som incessante...

O vento uivante que corta gélida dor
Lágrima, lágrima, lágrima...
O sussurro que questiona
De cada pulso um coração,
Que de um abraço,
Só a humanidade renega.

Uma lágrima, um rio.
Meia volta de passo, saudade.
Um silêncio, palavra.

As chagas que não impedem o andar,
Que só um abraço te impede chegar
Uma fita, um laço, sufocante...
Orvalho gotejante
Louvor de um sentir...

Implica-se perceber uma íris
Onde o silêncio inquieta-se, despercebido...

by nadja