O amor que me inunda vem do mundo.
Vem do céu, da terra, do ar, da vida.
O amor que me denuncia vem da imagem destorcida que maqueio sem pensar.
Vem das idéias que hesitam sem respirar.
Sinto o rosto do mundo a me encarar sem piscar.
E não existem desculpas que me convençam a ignorar o julgo desse olhar.
Ouço o chamado a passear por entre as veias, por entre o gosto da saliva que passeia nos lábios, na língua, no seco da voz.
Ouço o mundo chamar, clamar com seu grito cansado e imponente.
Ouço suas fraquezas a clamar seu louvor.
Ouço suas inseguranças, seus medos, suas loucuras.
Ouço a sua impiedade.
Deparo-me com o seu sufoco,
As vértebras já gastas de tanto esperar, de tanto exigir.
Ouço o mundo a implorar por silêncio, a pedir que a música que pulsa no chão toque cada vez mais pessoas.
Ouço o mundo a querer novas histórias, novas pegadas marcando o cimento seco, novos personagens nos livros antigos.
Ouço o mundo com suas delícias a seduzir o inverso das pessoas.
A retirar a sombra das almas e servir de bandeja. A demandar o impossível, o imprevisível, o risco...
A obter o que deseja, sempre.
Ouço o mundo a corromper as pessoas, a pedir e usar suas piores e melhores partes, a dançar com elas.
Ouço o mundo dentro e fora dele e não consigo calar o mundo em mim.
Ele me faz a volta pelo corpo e me cobre por inteiro.
Ele passa por cima de mim quando menos espero, mas sempre me implora presença novamente.
O mundo me grita, me fala, me pede, me resgata, me seduz, me diverte, me entristece, me silencia, me faz voar.
O mundo me parte no meio e me cola de novo, só para partir outra vez.
O mundo me diz tantas coisas, muitas das quais eu nunca quero ouvir.
E tantas pessoas ouvem o mundo todos os dias, mas não escutam o seu clamor.
Não sentem o pulso incessante que permeia as idéias, as vozes, os pensamentos.
O mundo circunda tudo isso.
O pensar é o pulso do mundo, seu respirar é a vida.
O mundo clama por tudo.
E muitos se sentem sozinhos ou cansados demais para escuta-lo.
É que o mundo quer ser seduzido pelas pessoas, quer ser persuadido, quer ser controlado, quer ser simplificado, quer ser belo.
O mundo quer ser amado.
O mundo quer ser perdoado, quer ser abraçado todos os dias.
Enquanto isso as pessoas querem que o amor que circula seja produzido em massa, para suprir superficialmente as carências do mundo todo.
O amor que me passa pelo corpo transborda o raio da borda, pra lamber nos lábios o desafio que é viver o mundo.
E o mesmo mundo me pisa no calo todos os dias, me levanta pela mão e carrega no colo.
Me leva um sorriso no peito e um coração na mão.
É esse o coração que me pulsa em todas as partes do corpo e traz um pequeno mundinho no meio, pra cuidar e carregar, sempre que preciso.
Ouço o mundo e ele me ouve. E um dia, vamos falar a mesma língua
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/37873931
Mistifica-se o verso, sem que signifique nada no tudo, sem que seja exceção á regra. Diria, sem medo nem voz, que se é um dia, que se o viva na poesia. Poemas e textos de Nadja Lopes
26.12.11
08/09/08
Sem pretensões, me liberto desse procurar,
É tempo de viver, e não de perguntar.
É tempo de deixar passar,
Para que um dia, tudo possa encontrar o seu lugar.
O sentido é um rosto esculpido na areia do meu pensar,
Composto de traços que nascem no espelho do ar,
Sem dias, sem noites, sem memória, tempo, soluço do mar,
Me visto, visito e tenho dito que não há nada á ganhar,
O poder é perder de pernas pro ar.
Se existe um novo jeito de deixar estar,
Que me venha de ombros a imaginar,
Sem segredos, mentiras ou véus de ninar,
São as palmas que nascem do nada que me deixam assim á cantar.
São os versos, desertos, que me fazem esculpir o pensar.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/37136714
É tempo de viver, e não de perguntar.
É tempo de deixar passar,
Para que um dia, tudo possa encontrar o seu lugar.
O sentido é um rosto esculpido na areia do meu pensar,
Composto de traços que nascem no espelho do ar,
Sem dias, sem noites, sem memória, tempo, soluço do mar,
Me visto, visito e tenho dito que não há nada á ganhar,
O poder é perder de pernas pro ar.
Se existe um novo jeito de deixar estar,
Que me venha de ombros a imaginar,
Sem segredos, mentiras ou véus de ninar,
São as palmas que nascem do nada que me deixam assim á cantar.
São os versos, desertos, que me fazem esculpir o pensar.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/37136714
28/08/08
There was a single spot,
Facing down the throat, keeping breath alive.
There was a melt down to the hands,
The wind going undone,
Half a moon just speaking low,
Down low from up above.
I was facing down this palace,
Common halts had more to say,
Than a frozen windy day
In one arm a place to be,
On the other hand a shape to keep.
It was a single lonely spot,
Saying that this was just a lot,
Too much to save at last,
Not to bother the words being said.
It was complicated, just as much as humans can be,
Sad as you might see,
Safe as the world will never be,
Going down it's a one way road,
Going up is a single look to the sky above.
Take away those fears and let it be.
Let the sun shine over me,
Let the smile break free.
No matter what, I am what I am, and I’ll come to be me.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/36730118
Facing down the throat, keeping breath alive.
There was a melt down to the hands,
The wind going undone,
Half a moon just speaking low,
Down low from up above.
I was facing down this palace,
Common halts had more to say,
Than a frozen windy day
In one arm a place to be,
On the other hand a shape to keep.
It was a single lonely spot,
Saying that this was just a lot,
Too much to save at last,
Not to bother the words being said.
It was complicated, just as much as humans can be,
Sad as you might see,
Safe as the world will never be,
Going down it's a one way road,
Going up is a single look to the sky above.
Take away those fears and let it be.
Let the sun shine over me,
Let the smile break free.
No matter what, I am what I am, and I’ll come to be me.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/36730118
24/08/08
Só quero lembrar que tudo deve mudar assim, de lugar,
Que as sombras que calçam a luz são pra deixar passar,
Que os medos que sobram são pra calar.
E são os sonhos que me acordam todos os dias,
São os sorrisos que me deixam á revelia,
E a força que eu tenho ninguém pode tirar.
E não são as mágoas que me fazem companhia,
Não vejo dores no sol de todo dia,
Não quero amores que me tragam utopia,
Não forço cores pra banhar a poesia.
Mas me resta uma vontade, um gosto, um porto,
Que contrai a cada verso uma corte, um alento,
Que ilumina as verdades, os momentos, a beleza,
Que sai de cada qual que se deixa imaginar.
E ouço esse silêncio, mas não o sinto pulsar.
Encaro o nada que vai a navegar,
Se tudo for que se deixe estar,
Assim, como o tudo que transforma o pensar.
E sejam bem vindas as surpresas que me competem,
As cartas, os dias, as novas idéias, o segredo de cada segundo.
Contando que me pertençam, contanto que nada seja apenas parcialmente meu.
Não quero restos, pedaços, frações, metades, divisões.
Que tudo mude sempre, para que se guarde incessantemente,
A vontade de nascer.
Mas que a descontinuidade não alimente qualquer possibilidade de largar de lado a vontade.
Não me quero lagrimar novamente.
Quero o som do vento a regar o pensamento,
A força a levantar por entre os mares,
A realidade que define o tempo,
As possibilidades do que seja bom.
Quero a marca da virada no castelo,
A beleza dos dias no encanto,
A energia que carrega um rio.
Quero tudo que seja real,
E quero que o teatro das ilusões seja o teatro das verdades,
Para que a lua que nos assiste todas as noites, sinta orgulho do que vê.
nadja lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/36547820
Que as sombras que calçam a luz são pra deixar passar,
Que os medos que sobram são pra calar.
E são os sonhos que me acordam todos os dias,
São os sorrisos que me deixam á revelia,
E a força que eu tenho ninguém pode tirar.
E não são as mágoas que me fazem companhia,
Não vejo dores no sol de todo dia,
Não quero amores que me tragam utopia,
Não forço cores pra banhar a poesia.
Mas me resta uma vontade, um gosto, um porto,
Que contrai a cada verso uma corte, um alento,
Que ilumina as verdades, os momentos, a beleza,
Que sai de cada qual que se deixa imaginar.
E ouço esse silêncio, mas não o sinto pulsar.
Encaro o nada que vai a navegar,
Se tudo for que se deixe estar,
Assim, como o tudo que transforma o pensar.
E sejam bem vindas as surpresas que me competem,
As cartas, os dias, as novas idéias, o segredo de cada segundo.
Contando que me pertençam, contanto que nada seja apenas parcialmente meu.
Não quero restos, pedaços, frações, metades, divisões.
Que tudo mude sempre, para que se guarde incessantemente,
A vontade de nascer.
Mas que a descontinuidade não alimente qualquer possibilidade de largar de lado a vontade.
Não me quero lagrimar novamente.
Quero o som do vento a regar o pensamento,
A força a levantar por entre os mares,
A realidade que define o tempo,
As possibilidades do que seja bom.
Quero a marca da virada no castelo,
A beleza dos dias no encanto,
A energia que carrega um rio.
Quero tudo que seja real,
E quero que o teatro das ilusões seja o teatro das verdades,
Para que a lua que nos assiste todas as noites, sinta orgulho do que vê.
nadja lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/36547820
21/07/08
Não quero mostrar essa parte,
Que late, esperneia, se bate,
Lança chamas e eterno engate,
Nas portas de qualquer entrave.
Não quero avançar o bote,
No que diz respeito a outro lote,
Que se banha, arranca, acanha, seduz.
Quero o que seja singelo,
No porte louco do castelo,
Nas ruas sem fim que se alargam a cada portão.
No braço do laço que não existe.
Quero ser livre,
Tão livre que se sustente o som de todo o mundo em uma só voz,
A vontade de todas as pessoas numa só mão,
A loucura sem sentido que é existir em vão.
Quero desligar o botão que me liga assim dessa forma,
Que me controla a cada gota nova,
Que derrota o orvalho na beira da flor.
Escuto tantos tempos diferentes que quero parar.
Quero parar e ver a chuva cair.
Que aqui quando não chove não cheira a gosto nenhum.
Quero abraçar os versos,
Que de tão meus refletem o mel que me lava a alma,
Que de tanto se entregar não sobra mais nada.
Quero o que o eu permite,
Sem qualquer sombra de limite,
Sem pensar que o depois existe.
Se é depois do que existe.
Se é que é o que não existe.
Me permito existir,
Sem que qualquer sombra me limite.
Que resista a longa ponte que tramita,
Que agora jaz e inexiste.
Aqui dentro o resto existe.
Ali de fora o tempo é triste,
Ai de onde é que se é livre?
Onde quero, sou, permito e existo,
E também sou livre, quando me permito inexistir.
nadja lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/35286133
Que late, esperneia, se bate,
Lança chamas e eterno engate,
Nas portas de qualquer entrave.
Não quero avançar o bote,
No que diz respeito a outro lote,
Que se banha, arranca, acanha, seduz.
Quero o que seja singelo,
No porte louco do castelo,
Nas ruas sem fim que se alargam a cada portão.
No braço do laço que não existe.
Quero ser livre,
Tão livre que se sustente o som de todo o mundo em uma só voz,
A vontade de todas as pessoas numa só mão,
A loucura sem sentido que é existir em vão.
Quero desligar o botão que me liga assim dessa forma,
Que me controla a cada gota nova,
Que derrota o orvalho na beira da flor.
Escuto tantos tempos diferentes que quero parar.
Quero parar e ver a chuva cair.
Que aqui quando não chove não cheira a gosto nenhum.
Quero abraçar os versos,
Que de tão meus refletem o mel que me lava a alma,
Que de tanto se entregar não sobra mais nada.
Quero o que o eu permite,
Sem qualquer sombra de limite,
Sem pensar que o depois existe.
Se é depois do que existe.
Se é que é o que não existe.
Me permito existir,
Sem que qualquer sombra me limite.
Que resista a longa ponte que tramita,
Que agora jaz e inexiste.
Aqui dentro o resto existe.
Ali de fora o tempo é triste,
Ai de onde é que se é livre?
Onde quero, sou, permito e existo,
E também sou livre, quando me permito inexistir.
nadja lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/35286133
12/07/2008
12/07/08
A verdade é que eu não quero falar sobre isso.
E talvez, pela primeira vez, eu não queira simplesmente pensar.
Quem faz isso é um eu.
Um eu que eu desconheço, que eu admiro, que eu não quero nem ver.
E que me assusta como um dia frio, daqueles que não têm ninguém pra te esquentar a alma.
Nem todas as pessoas sentem esse tipo de frio.
Esse meu eu sente muito frio.
Esse é um eu diferente dos outros, é um eu que eu não me orgulho, que eu não controlo.
É o eu que só existe quando eu não quero nada, ou melhor, só existe quando eu quero tudo.
Não querer nada é de certa forma querer tudo.
Um tudo que não foi premeditado.
Que não foi delineado.
Que não foi sacudido e resumido em outras dez palavras sem sentido.
Esse eu é a essência do mundo.
Não do seu mundo, esse eu é a essência do meu mundo. Meu viver assim descalço, sem aquelas cerimônias todas que as pessoas precisam para ser verdadeiras.
Se eu disser que sinto de fato necessidade dessas cerimônias estarei mentindo.
O que eu preciso é de realidade. Preciso ser real.
Preciso dizer o que eu penso sobre um milhão de coisas, ou preciso mesmo é parar de pensar.
Porque pensar é pensar.
É uma ação hipotética. Sempre o será.
A verdade é que eu quero falar sobre isso.
Mas não quero falar com ninguém, nem comigo.
E os dias continuam frios, o meu eu continua livre, absorto, desenvolvido.
Eu até gosto desse eu. Ele não enxerga limites.
Ele se faz livre. Pena que nem todas as versões vêm assim. Algumas vêm limitadas, presas, gastas.
Algumas são por demais céticas, e não enxergam a beleza espontânea latente em qualquer situação.
Posso aprender com esse eu. E aprender não é uma ação hipotética.
Eu amo esse eu.
Talvez esse amar-se assim tão sincero, só exista quando o eu mais louco está no leme.
Esse eu que não mede conseqüências, não foge de medo diante do desconhecido.
Que realmente não se importa em errar.
Não se importa em não saber.
Não saber quem sou eu.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/34910131
A verdade é que eu não quero falar sobre isso.
E talvez, pela primeira vez, eu não queira simplesmente pensar.
Quem faz isso é um eu.
Um eu que eu desconheço, que eu admiro, que eu não quero nem ver.
E que me assusta como um dia frio, daqueles que não têm ninguém pra te esquentar a alma.
Nem todas as pessoas sentem esse tipo de frio.
Esse meu eu sente muito frio.
Esse é um eu diferente dos outros, é um eu que eu não me orgulho, que eu não controlo.
É o eu que só existe quando eu não quero nada, ou melhor, só existe quando eu quero tudo.
Não querer nada é de certa forma querer tudo.
Um tudo que não foi premeditado.
Que não foi delineado.
Que não foi sacudido e resumido em outras dez palavras sem sentido.
Esse eu é a essência do mundo.
Não do seu mundo, esse eu é a essência do meu mundo. Meu viver assim descalço, sem aquelas cerimônias todas que as pessoas precisam para ser verdadeiras.
Se eu disser que sinto de fato necessidade dessas cerimônias estarei mentindo.
O que eu preciso é de realidade. Preciso ser real.
Preciso dizer o que eu penso sobre um milhão de coisas, ou preciso mesmo é parar de pensar.
Porque pensar é pensar.
É uma ação hipotética. Sempre o será.
A verdade é que eu quero falar sobre isso.
Mas não quero falar com ninguém, nem comigo.
E os dias continuam frios, o meu eu continua livre, absorto, desenvolvido.
Eu até gosto desse eu. Ele não enxerga limites.
Ele se faz livre. Pena que nem todas as versões vêm assim. Algumas vêm limitadas, presas, gastas.
Algumas são por demais céticas, e não enxergam a beleza espontânea latente em qualquer situação.
Posso aprender com esse eu. E aprender não é uma ação hipotética.
Eu amo esse eu.
Talvez esse amar-se assim tão sincero, só exista quando o eu mais louco está no leme.
Esse eu que não mede conseqüências, não foge de medo diante do desconhecido.
Que realmente não se importa em errar.
Não se importa em não saber.
Não saber quem sou eu.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/34910131
30/06/2008
As pessoas guardam as coisas.
Guardam pequenas caixinhas, cheias de bobeiras, sorrisos, regalias.
Guardam suas gaiolas, cheias de dores, loucuras, mágoas e quereres mal-resolvidos.
Alguns visitam suas caixinhas com freqüência, outros visitam suas gaiolas.
Eu não sou a favor de gaiolas.
Eu queria mesmo era não guardar nada nas tais gaiolas.
Mas como faz?
Você sente um monte de coisas, um monte de não-controles, um monte certezas que não são correspondidas, um monte de frustrações.
E essas coisas te fazem crescer mais do que os risos,
Te fazem pensar mais do que os abraços,
Te fazem se conhecer melhor do que tudo de bom que você já viveu.
Só que essas coisas, esses desesperos, não podem estar á flor da pele todos os dias, porque senão a vida seria feita de coisas ruins.
De apertos no peito que jamais vão embora,
De lágrimas que podem vir de lugares tão velhos, escuros.
Mas então a gente guarda.
Guarda para não esquecer o que já aprendeu, guarda pra se lembrar de não se entregar na hora errada, pra se lembrar de não ser tão ingênua.
Pra lembrar de não prever e acertar, pra lembrar de manter a ambição sobre controle.
No final das contas eu acho que guardamos tudo isso pelos motivos errados.
Porque já ta mais do que na cara que a gente gosta é de errar.
Errar milhões de coisas diferentes, aprender com elas ou não, e crescer mais um pouquinho. E dói crescer, dói muito.
Mas dói menos do que não crescer e repetir os mesmos erros.
Então eu acho que guardamos tudo aquilo e mais um pouco naquelas gaiolas, pra lembrar de errar diferente.
Não dá pra guardar e fingir que não vai mais errar.
Essa história de não errar é utopia.
Mas vê se varia, que errar com as mesmas coisas sempre chega a ser burrice.
E errar e fingir que está acertando é pior ainda.
Visitar as gaiolas é foda.
E ninguém está livre de esbarrar com uma ou outra de vez em quando.
Só que visitar as tais caixinhas, cheias de laços e amores, belezas, ilusões, gostos e memórias também dói.
Porque essas caixinhas estão todas no passado. E passado não volta.
Então alguém me explica porque o passado me rasga, me assombra e me morde, e ao mesmo tempo me ama, me gasta e me afaga.
E o presente é assim, tão sem gosto, sem promessa, sem compromisso,
Sem o mistério do riso, aquele mistério que hipnotiza e levanta do chão.
E o futuro esse pedaço de nada, que promete, mas não contrata, que idealiza, prevê, mas não conta nada.
Me cansa esse excesso de memória.
Me cansa essa falta de glória.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/34410901
Guardam pequenas caixinhas, cheias de bobeiras, sorrisos, regalias.
Guardam suas gaiolas, cheias de dores, loucuras, mágoas e quereres mal-resolvidos.
Alguns visitam suas caixinhas com freqüência, outros visitam suas gaiolas.
Eu não sou a favor de gaiolas.
Eu queria mesmo era não guardar nada nas tais gaiolas.
Mas como faz?
Você sente um monte de coisas, um monte de não-controles, um monte certezas que não são correspondidas, um monte de frustrações.
E essas coisas te fazem crescer mais do que os risos,
Te fazem pensar mais do que os abraços,
Te fazem se conhecer melhor do que tudo de bom que você já viveu.
Só que essas coisas, esses desesperos, não podem estar á flor da pele todos os dias, porque senão a vida seria feita de coisas ruins.
De apertos no peito que jamais vão embora,
De lágrimas que podem vir de lugares tão velhos, escuros.
Mas então a gente guarda.
Guarda para não esquecer o que já aprendeu, guarda pra se lembrar de não se entregar na hora errada, pra se lembrar de não ser tão ingênua.
Pra lembrar de não prever e acertar, pra lembrar de manter a ambição sobre controle.
No final das contas eu acho que guardamos tudo isso pelos motivos errados.
Porque já ta mais do que na cara que a gente gosta é de errar.
Errar milhões de coisas diferentes, aprender com elas ou não, e crescer mais um pouquinho. E dói crescer, dói muito.
Mas dói menos do que não crescer e repetir os mesmos erros.
Então eu acho que guardamos tudo aquilo e mais um pouco naquelas gaiolas, pra lembrar de errar diferente.
Não dá pra guardar e fingir que não vai mais errar.
Essa história de não errar é utopia.
Mas vê se varia, que errar com as mesmas coisas sempre chega a ser burrice.
E errar e fingir que está acertando é pior ainda.
Visitar as gaiolas é foda.
E ninguém está livre de esbarrar com uma ou outra de vez em quando.
Só que visitar as tais caixinhas, cheias de laços e amores, belezas, ilusões, gostos e memórias também dói.
Porque essas caixinhas estão todas no passado. E passado não volta.
Então alguém me explica porque o passado me rasga, me assombra e me morde, e ao mesmo tempo me ama, me gasta e me afaga.
E o presente é assim, tão sem gosto, sem promessa, sem compromisso,
Sem o mistério do riso, aquele mistério que hipnotiza e levanta do chão.
E o futuro esse pedaço de nada, que promete, mas não contrata, que idealiza, prevê, mas não conta nada.
Me cansa esse excesso de memória.
Me cansa essa falta de glória.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/34410901
22/06/08
Nem sabia mais o que dizer,
Quando tudo se muda assim de lugar e não há mais o que fazer.
Era um aperto que simulava medo,
Um sentido sem sentido em cada cerco do segredo,
Uma loucura, vértice, amargura,
De tanto se voltar de pouco em pouco.
Era um nada, de tudo um pouco,
Cada dia um outro sopro.
Que tudo fosse diferente,
Fácil, atraente, simples, competente.
E o nada não fosse tão ardente,
E a vontade não fosse de repente.
Um berço, cerco, torturante,
O medo uma corda lacerante,
A volta uma curva no semblante.
A força que me atravessa o corpo,
É alívio pra dizer que a vida existe,
E a coragem que me carrega pelos dias,
Me calça, flutua.
Mas o nada está sempre ali fazendo margem,
Dizendo que o resto é resto e dele não se parte.
E não é de todo o desperdício,
A mão que aperta a fonte do sacrifico,
E se não tivessem que provar nada pra ninguém,
O que seria do orgulho, do amor, da morte, vida?
E se não tivesse que provar nada pra si mesmo,
O que seria a voz do medo marcando porto na beleza do rosto?
Se não fosse o nada na porta da partida,
Não seria simples gosto a despedida.
E a liberdade que corteja cada parte do ser,
É a condição que mescla os raios do amanhã,
Que não existe nada que faça essa nuvem mudar de lugar,
Por que leva tempo pra crescer e perceber,
Que tudo muda,
E é assim que deve ser, doa a quem doer.
Esse é o medo que me banha e gasta,
Essa é a dor que me abraça.
Mudar e ficar de fato um porto,
Um pedaço, afago,
Que do agrado, não tem mais ilusão.
Uma realidade que jaz sem fantasia,
E a heresia do medo aqui a encarar a descrença,
Vestida com toda a sua decência,
Vestida com o seu desapego.
Tiro de dentro o que me consome,
E espero que fique sem fome,
Cansado do esperar,
Ali, sentado em outro lugar.
E só espero que o certo seja sempre óbvio,
O correto um peito aberto,
A coragem condição de existência.
Para que não sejam fardos a se carregar sozinhos,
Com seus medos e segredos, dependências e necessidades.
Para que sejam peças completas,
Para que cada um seja inteiro.
E assim de frente pro mundo,
Colocando-se em jogo,
Sentindo a vida, absorta e solta,
Levante com toda a sua poesia,
E faça sentido outra vez.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/34133555
Quando tudo se muda assim de lugar e não há mais o que fazer.
Era um aperto que simulava medo,
Um sentido sem sentido em cada cerco do segredo,
Uma loucura, vértice, amargura,
De tanto se voltar de pouco em pouco.
Era um nada, de tudo um pouco,
Cada dia um outro sopro.
Que tudo fosse diferente,
Fácil, atraente, simples, competente.
E o nada não fosse tão ardente,
E a vontade não fosse de repente.
Um berço, cerco, torturante,
O medo uma corda lacerante,
A volta uma curva no semblante.
A força que me atravessa o corpo,
É alívio pra dizer que a vida existe,
E a coragem que me carrega pelos dias,
Me calça, flutua.
Mas o nada está sempre ali fazendo margem,
Dizendo que o resto é resto e dele não se parte.
E não é de todo o desperdício,
A mão que aperta a fonte do sacrifico,
E se não tivessem que provar nada pra ninguém,
O que seria do orgulho, do amor, da morte, vida?
E se não tivesse que provar nada pra si mesmo,
O que seria a voz do medo marcando porto na beleza do rosto?
Se não fosse o nada na porta da partida,
Não seria simples gosto a despedida.
E a liberdade que corteja cada parte do ser,
É a condição que mescla os raios do amanhã,
Que não existe nada que faça essa nuvem mudar de lugar,
Por que leva tempo pra crescer e perceber,
Que tudo muda,
E é assim que deve ser, doa a quem doer.
Esse é o medo que me banha e gasta,
Essa é a dor que me abraça.
Mudar e ficar de fato um porto,
Um pedaço, afago,
Que do agrado, não tem mais ilusão.
Uma realidade que jaz sem fantasia,
E a heresia do medo aqui a encarar a descrença,
Vestida com toda a sua decência,
Vestida com o seu desapego.
Tiro de dentro o que me consome,
E espero que fique sem fome,
Cansado do esperar,
Ali, sentado em outro lugar.
E só espero que o certo seja sempre óbvio,
O correto um peito aberto,
A coragem condição de existência.
Para que não sejam fardos a se carregar sozinhos,
Com seus medos e segredos, dependências e necessidades.
Para que sejam peças completas,
Para que cada um seja inteiro.
E assim de frente pro mundo,
Colocando-se em jogo,
Sentindo a vida, absorta e solta,
Levante com toda a sua poesia,
E faça sentido outra vez.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/34133555
Jump
16/06/08
Jump.
If you won't jump it won't work,
If you never bet you'll never win.
But than again, you can only get what you wish.
And if you don’t want it, you can’t have it.
I'm sorry,
I’m not that strong,
Not when it hurts from inside out.
One day I will be as strong or as heartless as I wish.
And my own world will lose a lot from it.
No, don't give yourself to me in such small pieces.
Keep it.
Maybe the beauty you have inside will grow by itself,
And make you more and more happy,
Without anyone ever touching it.
Maybe not.
I'm sorry about the way I feel,
But eventually I’ll be able to hold you without feeling anything at all,
And the sun will settle itself in yet another way,
Passing on it's beauty to all of us,
And letting it be.
Each one one of us has a moment,
And that moment defines what comes next.
It’s ok. That’s life.
The thing is,
When somebody disapoints you,
It is your fault to let that happen.
Especially when it happens twice.
But that’s ok.
You are the one who’s brave enough to try.
The one whose fears are tamed.
The one who fears other things,
Love not being one of them.
Nor caring, nor getting involved.
At least not now.
Not now that you’ve learned that the sun will rise up everyday,
No matter what happens.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/33931161
Jump.
If you won't jump it won't work,
If you never bet you'll never win.
But than again, you can only get what you wish.
And if you don’t want it, you can’t have it.
I'm sorry,
I’m not that strong,
Not when it hurts from inside out.
One day I will be as strong or as heartless as I wish.
And my own world will lose a lot from it.
No, don't give yourself to me in such small pieces.
Keep it.
Maybe the beauty you have inside will grow by itself,
And make you more and more happy,
Without anyone ever touching it.
Maybe not.
I'm sorry about the way I feel,
But eventually I’ll be able to hold you without feeling anything at all,
And the sun will settle itself in yet another way,
Passing on it's beauty to all of us,
And letting it be.
Each one one of us has a moment,
And that moment defines what comes next.
It’s ok. That’s life.
The thing is,
When somebody disapoints you,
It is your fault to let that happen.
Especially when it happens twice.
But that’s ok.
You are the one who’s brave enough to try.
The one whose fears are tamed.
The one who fears other things,
Love not being one of them.
Nor caring, nor getting involved.
At least not now.
Not now that you’ve learned that the sun will rise up everyday,
No matter what happens.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/33931161
05/04/08
Estava de pé diante do mundo,
Lá longe o horizonte descia em uma curva só.
E essa curva bem que poderia tatear seus dedos.
Sentia na boca aquele vento,
E o gosto cego era o peito, a fronte, lábio, língua.
Estavam vivos, todos aqueles sons,
E o único momento surdo era o gotejar daquele céu.
Lavando tudo o que já não é.
Estavam todos á voar
E eis que batiam as asas todos de uma vez,
Como se aleijados, estivessem a voar sozinhos.
Andava pelas nuvens,
Com os pés encostando-se à grama,
Como que fazendo morada.
E se fosse tudo ou nada?
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/31148223
Lá longe o horizonte descia em uma curva só.
E essa curva bem que poderia tatear seus dedos.
Sentia na boca aquele vento,
E o gosto cego era o peito, a fronte, lábio, língua.
Estavam vivos, todos aqueles sons,
E o único momento surdo era o gotejar daquele céu.
Lavando tudo o que já não é.
Estavam todos á voar
E eis que batiam as asas todos de uma vez,
Como se aleijados, estivessem a voar sozinhos.
Andava pelas nuvens,
Com os pés encostando-se à grama,
Como que fazendo morada.
E se fosse tudo ou nada?
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/31148223
31/03/2008
O peso era fenomenal.
Do tanto certo que se pudesse sentir.
Se alguém fizesse encomenda, não sairia na medida certa.
Um topo de medo na sobra do gás, que fosse pra tragar, não sufocava de tão lento.
E eram assim os segundos.
Feitos de massa mais densa,
Deixando o tempo volver por si só.
Eram horas a fio de sentidos diversos, que não travavam de todo nem a volta, nem a atenção.
E se medidos em sombras seriam nulos.
E nada de negro existia enfim.
O real era de fato uma novidade
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/30901438
Do tanto certo que se pudesse sentir.
Se alguém fizesse encomenda, não sairia na medida certa.
Um topo de medo na sobra do gás, que fosse pra tragar, não sufocava de tão lento.
E eram assim os segundos.
Feitos de massa mais densa,
Deixando o tempo volver por si só.
Eram horas a fio de sentidos diversos, que não travavam de todo nem a volta, nem a atenção.
E se medidos em sombras seriam nulos.
E nada de negro existia enfim.
O real era de fato uma novidade
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/30901438
A Casa
08/02/08
Uma casa na brasa,
Se contorcia e salgava,
Morava na raça.
E de noite a casa crescia,
Amava, tremia,
De dia a casa dormia.
A casa se fazia de louca,
Mas as pessoas dentro eram apenas roucas.
Se tivesse pernas a casa sairia andando,
Tivesse olhos namoraria o mundo,
Tivesse ouvidos aprenderia as belezas da vida.
Uma casa na brasa,
O fogo consumiu as cortinas,
Banhou de labareda as panelas,
Esquentou cada pedaço de vento,
Arrematou a calma da rouquidão,
Em todos os anos em que esteve de pé,
A casa nunca deu uma palavra,
Obedecia a cada murro de faca,
Sorria sem sentir os lábios,
A casa tinha boca,
Mas não sabia falar.
Uma casa na brasa,
De fogo se acerta,
A ardência subiu pelas paredes,
O calor mordiscou o teto,
A casa, em plena loucura,
Derreteu-se em agonia,
E rasgando o pranto que lhe comia,
Deu parte ás heresias.
A casa queimou de tanto amor.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/28833757
Uma casa na brasa,
Se contorcia e salgava,
Morava na raça.
E de noite a casa crescia,
Amava, tremia,
De dia a casa dormia.
A casa se fazia de louca,
Mas as pessoas dentro eram apenas roucas.
Se tivesse pernas a casa sairia andando,
Tivesse olhos namoraria o mundo,
Tivesse ouvidos aprenderia as belezas da vida.
Uma casa na brasa,
O fogo consumiu as cortinas,
Banhou de labareda as panelas,
Esquentou cada pedaço de vento,
Arrematou a calma da rouquidão,
Em todos os anos em que esteve de pé,
A casa nunca deu uma palavra,
Obedecia a cada murro de faca,
Sorria sem sentir os lábios,
A casa tinha boca,
Mas não sabia falar.
Uma casa na brasa,
De fogo se acerta,
A ardência subiu pelas paredes,
O calor mordiscou o teto,
A casa, em plena loucura,
Derreteu-se em agonia,
E rasgando o pranto que lhe comia,
Deu parte ás heresias.
A casa queimou de tanto amor.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/28833757
03/02/08
Você tem nas mãos aquele resto de vento,
Que passou raspando na orelha,
Dando passagem, ornamento, paisagem.
E ainda na marcha, passa reto no resto de rosto.
Quem era quem naquela hora, ninguém sabe.
Talvez precise um pouco de loucura,
Pra te colocar de pés no chão.
Quem sabe aquela inconseqüência que tanto te corteja a razão,
Seja o pão de cada dia na roda da ilusão.
Quem quer um pouco da verdade,
Transborda o corpo de sonho.
Mas a realidade é que nada é tudo,
No tudo ou nada do teu olhar.
E quem sabe é uma sombra,
Marchando na sobra do teu silêncio.
Pedindo um pouco do que há de melhor na vida.
Na minha boca passa amor e glória,
E na voz uma nesga de verbo,
Que ninguém sabe explicar.
E eu quis pela primeira vez o sentido estático das coisas.
Vontade domada no corpo, fruto da mente.
E nunca ninguém te possui a mente,
Nunca ninguém te decifra o mistério.
Na diferença que você tanto procura,
Mora um rodízio de idéias,
Uma cor latente,
Mora um sentido dormente.
Que na demência do tempo,
Ninguém sabe sentir.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/28653685
Que passou raspando na orelha,
Dando passagem, ornamento, paisagem.
E ainda na marcha, passa reto no resto de rosto.
Quem era quem naquela hora, ninguém sabe.
Talvez precise um pouco de loucura,
Pra te colocar de pés no chão.
Quem sabe aquela inconseqüência que tanto te corteja a razão,
Seja o pão de cada dia na roda da ilusão.
Quem quer um pouco da verdade,
Transborda o corpo de sonho.
Mas a realidade é que nada é tudo,
No tudo ou nada do teu olhar.
E quem sabe é uma sombra,
Marchando na sobra do teu silêncio.
Pedindo um pouco do que há de melhor na vida.
Na minha boca passa amor e glória,
E na voz uma nesga de verbo,
Que ninguém sabe explicar.
E eu quis pela primeira vez o sentido estático das coisas.
Vontade domada no corpo, fruto da mente.
E nunca ninguém te possui a mente,
Nunca ninguém te decifra o mistério.
Na diferença que você tanto procura,
Mora um rodízio de idéias,
Uma cor latente,
Mora um sentido dormente.
Que na demência do tempo,
Ninguém sabe sentir.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/28653685
04/02/08
O rumo incerto tem a beleza do deserto que paira em teus pulmões.
E a sensação de estar vivo que te liberta a alma,
É também a morte que te seduz a calma.
Se é que todos têm ambas partes do desafio...
No corrimão deste navio.
Toda certeza é pouca perto do que não se sabe.
Toda entrega é nula em meio ao que não seduz.
E esse sorriso vago, assim tão de lado, nada diz.
E o nada é assim tão largo, que não te sustenta o passo,
O verbo é o espaço.
Mas do que falam todos vocês,
Quando estão de boca fechada?
Sei que falo e canto sem abrir a boca,
Sei o sentido inverso do que te conduz.
A pedra no sapato que te barra o tato.
Naquela casa de janelas abertas,
A chuva não molha,
O sol não queima,
E o tempo não passa.
A cama não deita e o estrado é passado.
E aquele som molhado,
Queima, fere, mata, embala e dança.
No rumo curto do destino,
Faz tempo que não se vive,
Faz dias que não se toca o chão.
nadja lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/28677233
E a sensação de estar vivo que te liberta a alma,
É também a morte que te seduz a calma.
Se é que todos têm ambas partes do desafio...
No corrimão deste navio.
Toda certeza é pouca perto do que não se sabe.
Toda entrega é nula em meio ao que não seduz.
E esse sorriso vago, assim tão de lado, nada diz.
E o nada é assim tão largo, que não te sustenta o passo,
O verbo é o espaço.
Mas do que falam todos vocês,
Quando estão de boca fechada?
Sei que falo e canto sem abrir a boca,
Sei o sentido inverso do que te conduz.
A pedra no sapato que te barra o tato.
Naquela casa de janelas abertas,
A chuva não molha,
O sol não queima,
E o tempo não passa.
A cama não deita e o estrado é passado.
E aquele som molhado,
Queima, fere, mata, embala e dança.
No rumo curto do destino,
Faz tempo que não se vive,
Faz dias que não se toca o chão.
nadja lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/28677233
Felicidade
05/02/08
A minha felicidade depende de mim
Da minha felicidade dependo eu.
Se você não sabe amor
Fica na praia,
Sente o vento,
Espalma a palma,
Vê a alma rasgar,
Maresia de mar em mar.
A minha felicidade depende de mim
Da minha felicidade dependo eu.
Se você não sabe amor
Fique na ilha,
Cercado de farpa,
Largado na pilha.
Sozinho na lapa.
Nessa boa viagem,
Dá saudade do verso,
Falta coragem pra desencantar.
Pra quê caminho reto?
Vê de perto,
Que de cabeça ao vento
É que dá pra pensar.
Aprende amor,
Que sem pé no chão não dá pra dançar.
Sem cortesia não dá pra brincar,
Sem mistério não têm arrepio,
O sentido é um desvio,
Que desemboca na beira do mar.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/28718130
A minha felicidade depende de mim
Da minha felicidade dependo eu.
Se você não sabe amor
Fica na praia,
Sente o vento,
Espalma a palma,
Vê a alma rasgar,
Maresia de mar em mar.
A minha felicidade depende de mim
Da minha felicidade dependo eu.
Se você não sabe amor
Fique na ilha,
Cercado de farpa,
Largado na pilha.
Sozinho na lapa.
Nessa boa viagem,
Dá saudade do verso,
Falta coragem pra desencantar.
Pra quê caminho reto?
Vê de perto,
Que de cabeça ao vento
É que dá pra pensar.
Aprende amor,
Que sem pé no chão não dá pra dançar.
Sem cortesia não dá pra brincar,
Sem mistério não têm arrepio,
O sentido é um desvio,
Que desemboca na beira do mar.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/28718130
Inverno
06/02/08
Inverno
Então é isso aí,
Estamos todos doentes.
Nas unhas sujas de barro,
A culpa é dos terços.
Se soubesse o que há de rosto nesse arranca brisa,
Nem a turba lente faria o barco liso.
E é a loucura tímida do inverno,
Que recolhe ao léu o tamanho embaraço
Nas portas daquele salão no espaço,
Moram as olheiras do cansaço.
As flores gotejando eternos sons,
Folhas que me cobrem a pele nua.
Encostando a minha pele na tua.
E se houvesse algum sentido nesse ruído,
Não seria posto a frio em análise,
Se houvessem padrões nesses tiros,
Seriam a morte, eutanásia.
Suicídio concedido,
A quem não mais sente o tempo passar.
E se num dia frio eu pudesse descrever coisas belas,
Seriam sob os lençóis das nuvens que pairam lá em cima.
De tão negras que escurecem os pensamentos,
Tão densas que parecem apaixonadas pelo céu.
Ciúmes que têm do sol por chamar tanta atenção.
E aquele último toque frio do vento,
Que passa arrepiando a nuca exposta.
Espera qualquer resposta,
Como se o sol pudesse ir embora,
Pare que as nuvens pudessem brilhar.
Na pele nua,
Encosta o suspiro na lua,
Que se fosse pra nuvem ficar,
Haveria de ser noite e luar,
Na sombra que forma no chão,
Quando se contraria o inverno
E se sorri para o verão.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/28766576
Inverno
Então é isso aí,
Estamos todos doentes.
Nas unhas sujas de barro,
A culpa é dos terços.
Se soubesse o que há de rosto nesse arranca brisa,
Nem a turba lente faria o barco liso.
E é a loucura tímida do inverno,
Que recolhe ao léu o tamanho embaraço
Nas portas daquele salão no espaço,
Moram as olheiras do cansaço.
As flores gotejando eternos sons,
Folhas que me cobrem a pele nua.
Encostando a minha pele na tua.
E se houvesse algum sentido nesse ruído,
Não seria posto a frio em análise,
Se houvessem padrões nesses tiros,
Seriam a morte, eutanásia.
Suicídio concedido,
A quem não mais sente o tempo passar.
E se num dia frio eu pudesse descrever coisas belas,
Seriam sob os lençóis das nuvens que pairam lá em cima.
De tão negras que escurecem os pensamentos,
Tão densas que parecem apaixonadas pelo céu.
Ciúmes que têm do sol por chamar tanta atenção.
E aquele último toque frio do vento,
Que passa arrepiando a nuca exposta.
Espera qualquer resposta,
Como se o sol pudesse ir embora,
Pare que as nuvens pudessem brilhar.
Na pele nua,
Encosta o suspiro na lua,
Que se fosse pra nuvem ficar,
Haveria de ser noite e luar,
Na sombra que forma no chão,
Quando se contraria o inverno
E se sorri para o verão.
Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/28766576
24.8.11
Hatred... a nice excuse to put a stop to abuse,
to simply feel that you have been used,
to calmly comprehend.
To ease something out.
These unbearable places in our minds, they exist.
And they matter, they can take hold.
There, the pain soothes our souls into calm water:
flowing water, simple-like-tears.
Tears as they come and go, leaving drought behind.
Leaving empty frames and one too many of everything.
The easy way out is no way out at all,
Our minds subdue to what makes them crawl.
And love ain't it.
Belief is a drug, and it is drugging your brain.
Right now you're nothing but a speck of pain,
Killing the handsome beams of light.
You don't suppose I might fall and yet exist?
Here am I, nor in any less a way I was before.
Before empty night came and took away my light, my might, my song.
It awaits, the light awaits.
And future holds a new set of events,
to make up for lost time,
to bring me some peace, mind you?
Leave me be, just wrong whatever me,
Just lost and feverish me,
Just angry and calm, and lonely e sane,
And complex, tingling me, teary me, silly me,
For I can't be any other me I know of.
I rest here, solid grounds or empty clouds,
whomever they may be.
to simply feel that you have been used,
to calmly comprehend.
To ease something out.
These unbearable places in our minds, they exist.
And they matter, they can take hold.
There, the pain soothes our souls into calm water:
flowing water, simple-like-tears.
Tears as they come and go, leaving drought behind.
Leaving empty frames and one too many of everything.
The easy way out is no way out at all,
Our minds subdue to what makes them crawl.
And love ain't it.
Belief is a drug, and it is drugging your brain.
Right now you're nothing but a speck of pain,
Killing the handsome beams of light.
You don't suppose I might fall and yet exist?
Here am I, nor in any less a way I was before.
Before empty night came and took away my light, my might, my song.
It awaits, the light awaits.
And future holds a new set of events,
to make up for lost time,
to bring me some peace, mind you?
Leave me be, just wrong whatever me,
Just lost and feverish me,
Just angry and calm, and lonely e sane,
And complex, tingling me, teary me, silly me,
For I can't be any other me I know of.
I rest here, solid grounds or empty clouds,
whomever they may be.
23.8.11
Eu queria escrever novamente,
Rasgar meus receios e fazê-los dançar em verso.
Dizer que não importa.
Vocês podem pedir a minha alma,
Amedrontar meus sonhos,
Escurecer minhas idéias,
Mas no fim do dia é o meu querer que vale.
Vocês podem esconder meus portos,
Guardar meus gritos na gaveta,
Dizer que a ilusão me alcança os passos.
Mas ilusão é a cereja do bolo.
E não venham me falar que está tudo certo ou errado,
branco ou preto...
Não suporto esses termos.
Gosto mesmo é da paixão, do rastro,
do amor indelevelmente real e são.
Você que exige e não ama,
Você que ama e não compreende,
Você que quer engessar o mundo com a sua utopia.
Você me cansa.
Me canso de ouvir que o diferente não é satisfatório.
Porque sou e serei diferente sempre.
E não há como me encaixar no seu pequeno quebra-cabeças...
Ele é por demais correto e errado, branco e preto,
Ele é um plano cartesiano.
E eu funciono na base do mais pleno e diverso caos.
Rasgar meus receios e fazê-los dançar em verso.
Dizer que não importa.
Vocês podem pedir a minha alma,
Amedrontar meus sonhos,
Escurecer minhas idéias,
Mas no fim do dia é o meu querer que vale.
Vocês podem esconder meus portos,
Guardar meus gritos na gaveta,
Dizer que a ilusão me alcança os passos.
Mas ilusão é a cereja do bolo.
E não venham me falar que está tudo certo ou errado,
branco ou preto...
Não suporto esses termos.
Gosto mesmo é da paixão, do rastro,
do amor indelevelmente real e são.
Você que exige e não ama,
Você que ama e não compreende,
Você que quer engessar o mundo com a sua utopia.
Você me cansa.
Me canso de ouvir que o diferente não é satisfatório.
Porque sou e serei diferente sempre.
E não há como me encaixar no seu pequeno quebra-cabeças...
Ele é por demais correto e errado, branco e preto,
Ele é um plano cartesiano.
E eu funciono na base do mais pleno e diverso caos.
3.5.11
Inferno mental
Passei por um inferno mental. Durou quase duas semanas.
É como se eu estivesse vendo o mundo por meio de duas lentes míopes, negras e embaçadas.
Como se eu estivesse amarrada, contida, sufocando, sufocando, esperando alguém pra me salvar.
Mas quem vai me salvar de mim mesma?
A verdade é que só quem pode me salvar sou eu.
A partir do momento que a responsabilidade da minha paz é minha, as lentes se perdem no mundo,
e eu me acho.
Eu: intensa, incógnita, incoerente, livre.
Livre do medo, da incerteza, da lente míope que quer criar um universo de fantasia.
As coisas são. Elas são como são.
Encaixar a vida na perfeição idiota que se plasma na mente é no mínimo estúpido.
Porque se cria dor, sofrimento e cansaço, por nada.
Então se as coisas são, se observa o ato de ser e só. Nada mais.
É aí que as coisas se tornam maleáveis, quando se admite a sua existência.
A flexibilidade nada mais é do que tornar maleáveis situações, comportamentos e pensamentos petrificados.
E o conforto surge novamente (não a acomodação) e sim o conforto de se estar na própria pele.
A beleza de estar enraizado na vida.
De sentir os pensamentos passarem como ondas, enquanto você permanece.
Se tudo passar, se o mundo passar, você permanece.
Vivo, intenso, entregue a si mesmo, irradiando luz e mel.
É como se eu estivesse vendo o mundo por meio de duas lentes míopes, negras e embaçadas.
Como se eu estivesse amarrada, contida, sufocando, sufocando, esperando alguém pra me salvar.
Mas quem vai me salvar de mim mesma?
A verdade é que só quem pode me salvar sou eu.
A partir do momento que a responsabilidade da minha paz é minha, as lentes se perdem no mundo,
e eu me acho.
Eu: intensa, incógnita, incoerente, livre.
Livre do medo, da incerteza, da lente míope que quer criar um universo de fantasia.
As coisas são. Elas são como são.
Encaixar a vida na perfeição idiota que se plasma na mente é no mínimo estúpido.
Porque se cria dor, sofrimento e cansaço, por nada.
Então se as coisas são, se observa o ato de ser e só. Nada mais.
É aí que as coisas se tornam maleáveis, quando se admite a sua existência.
A flexibilidade nada mais é do que tornar maleáveis situações, comportamentos e pensamentos petrificados.
E o conforto surge novamente (não a acomodação) e sim o conforto de se estar na própria pele.
A beleza de estar enraizado na vida.
De sentir os pensamentos passarem como ondas, enquanto você permanece.
Se tudo passar, se o mundo passar, você permanece.
Vivo, intenso, entregue a si mesmo, irradiando luz e mel.
2.5.11
Sombra
A ilusão é um véu se que sobrepõe no cerne da felicidade.
É um espectro, um suspiro quando se larga no ar.
É solitário admitir que se é único, um ser sem igual,
Nessa unicidade, as características se partem, se dobram, se encaixam, se fundem,
Me vejo a sobrevoar mistérios e medos, sanar meus desejos..
O medo, a sombra... enfim exposta,
Te abraço, minha querida amiga,
É você que me impele a desafiar-me.
És parte necessária de mim.
A adversidade atroz,
Não mata, e sim, preenche o vácuo da certeza,
Me configura.
Quero o chão,
Quero ser.
Ser o que sou, sem remendos.
Não há nada aqui que me envergonhe.
Não existem atalhos.
Não existem definições corretas,
Existe apenas a liberdade.
Ser, sentir, viver.
A vida, sem cortes, sem desespero, sem açoite.
Aceitação, pura e simples.
Amo cada segundo meu e me encontro nua diante de mim.
É um espectro, um suspiro quando se larga no ar.
É solitário admitir que se é único, um ser sem igual,
Nessa unicidade, as características se partem, se dobram, se encaixam, se fundem,
Me vejo a sobrevoar mistérios e medos, sanar meus desejos..
O medo, a sombra... enfim exposta,
Te abraço, minha querida amiga,
É você que me impele a desafiar-me.
És parte necessária de mim.
A adversidade atroz,
Não mata, e sim, preenche o vácuo da certeza,
Me configura.
Quero o chão,
Quero ser.
Ser o que sou, sem remendos.
Não há nada aqui que me envergonhe.
Não existem atalhos.
Não existem definições corretas,
Existe apenas a liberdade.
Ser, sentir, viver.
A vida, sem cortes, sem desespero, sem açoite.
Aceitação, pura e simples.
Amo cada segundo meu e me encontro nua diante de mim.
12.4.11
Within
Being strong and beautiful.
Knowing the pieces of shattered glass beneath my heart,
Caring for, and wanting.
Evenness and pretty much everything else, there, facing the lake, the sun, the sun in your eyes.
The whats or whys circumvented, creeping up paradise.
This could stand no maybes, this could not survive in fantasy land.
Either that or I don't live.
Yet, who I am to tell you to jump?
I am just love in it's might right now.
And love only bares the power obtained by the hand of free will.
You don't steal love, you don't take hold of it and place it in a small jar on the shelf.
It can't be a picture, a movie, leftovers.
It is what it is and you can't lie about it.
Can you feel this?
I can.
It is on baby.
So, what was it again...
What was the one big mistake you said you wouldn't make?
I wonder, what are choices, anyway?
Even if we chose to cross separate ways,
It lives, it is here in my chest...
I breathes.
Love breathes. And it lives here. Within.
Knowing the pieces of shattered glass beneath my heart,
Caring for, and wanting.
Evenness and pretty much everything else, there, facing the lake, the sun, the sun in your eyes.
The whats or whys circumvented, creeping up paradise.
This could stand no maybes, this could not survive in fantasy land.
Either that or I don't live.
Yet, who I am to tell you to jump?
I am just love in it's might right now.
And love only bares the power obtained by the hand of free will.
You don't steal love, you don't take hold of it and place it in a small jar on the shelf.
It can't be a picture, a movie, leftovers.
It is what it is and you can't lie about it.
Can you feel this?
I can.
It is on baby.
So, what was it again...
What was the one big mistake you said you wouldn't make?
I wonder, what are choices, anyway?
Even if we chose to cross separate ways,
It lives, it is here in my chest...
I breathes.
Love breathes. And it lives here. Within.
18.3.11
Luto
O luto passou.
Luto este que deixa as algemas de lado,
Que rompe com o universo.
Que se cansa de canções.
Que se compraz nas canções.
Que deita e levanta sem sentir nada.
Que deita e levanta na dor.
A dor é infinitamente mais genuína e mais real que uma rejeição.
A rejeição é o nada, a dor a existência.
Doer é admitir que se existe, independentemente de inexistir aos olhos de quem quer que seja.
Mas a dor vem sorrateira e quando menos se espera, ela passa.
Passa deixando para trás apenas as marcas do crescimento.
As marcas necessárias do crescimento.
Como anéis no tronco de uma árvore, as marcas celebram anos de vida,
Anos de amor, de dor, de experiência.
Não poderia ser diferente.
O luto passou, a dor sossegou,
E em breve virá o mundo,
Com seus encantos e maravilhas,
Para lembrar-me da beleza e da graça de viver.
Lembrar-me da música, do sol e do riso.
Para lembrar-me ainda, que a existência compensa qualquer dor.
E que a dor é um prenúncio para dias melhores.
Que a vida, o amor, as pessoas existem.
Que eu existo, que eu amo existir,
E que a energia criativa é dominante em todos os momentos.
Uma perda nada mais é do que a forma criativa do universo de mostrar novos caminhos.
Luto este que deixa as algemas de lado,
Que rompe com o universo.
Que se cansa de canções.
Que se compraz nas canções.
Que deita e levanta sem sentir nada.
Que deita e levanta na dor.
A dor é infinitamente mais genuína e mais real que uma rejeição.
A rejeição é o nada, a dor a existência.
Doer é admitir que se existe, independentemente de inexistir aos olhos de quem quer que seja.
Mas a dor vem sorrateira e quando menos se espera, ela passa.
Passa deixando para trás apenas as marcas do crescimento.
As marcas necessárias do crescimento.
Como anéis no tronco de uma árvore, as marcas celebram anos de vida,
Anos de amor, de dor, de experiência.
Não poderia ser diferente.
O luto passou, a dor sossegou,
E em breve virá o mundo,
Com seus encantos e maravilhas,
Para lembrar-me da beleza e da graça de viver.
Lembrar-me da música, do sol e do riso.
Para lembrar-me ainda, que a existência compensa qualquer dor.
E que a dor é um prenúncio para dias melhores.
Que a vida, o amor, as pessoas existem.
Que eu existo, que eu amo existir,
E que a energia criativa é dominante em todos os momentos.
Uma perda nada mais é do que a forma criativa do universo de mostrar novos caminhos.
Sozinha
Sozinha.
Sozinha, como árvore, solitária como inverno.
Inverno meu.
Meu absurdo.
Absurdo, este, que mata o que me resta,
em breve não restará nada.
Em segundos, não restarão motivos,
Morrerão os sentidos,
Ficarão impassíveis de ser enganados...
Enganada, ilusão silenciosa.
Que parte do porto pra me atacar,
Que morre na alma de cada poeta.
Sozinha, como árvore, solitária como inverno.
Inverno meu.
Meu absurdo.
Absurdo, este, que mata o que me resta,
em breve não restará nada.
Em segundos, não restarão motivos,
Morrerão os sentidos,
Ficarão impassíveis de ser enganados...
Enganada, ilusão silenciosa.
Que parte do porto pra me atacar,
Que morre na alma de cada poeta.
O Sorriso
Não era um sorriso de paz,
não era um comunicado,
não era uma declaração.
Não merecia canção.
Não era tema de filme,
Jamais seria razão de viver de ninguém.
Já não era sorriso,
não era expressão,
já não era comício,
falácia, já não era.
O sorriso, nunca sorriso fora,
Silêncio, nunca sorriso fora.
Era uma contida mentira.
Uma desculpa para existir.
O sorriso, era uma saída.
Quem sorri não precisa de nada.
Quem sorri não precisa,
Não, quem sorri não precisa.
não era um comunicado,
não era uma declaração.
Não merecia canção.
Não era tema de filme,
Jamais seria razão de viver de ninguém.
Já não era sorriso,
não era expressão,
já não era comício,
falácia, já não era.
O sorriso, nunca sorriso fora,
Silêncio, nunca sorriso fora.
Era uma contida mentira.
Uma desculpa para existir.
O sorriso, era uma saída.
Quem sorri não precisa de nada.
Quem sorri não precisa,
Não, quem sorri não precisa.
O hoje e o ser
Não há nada como estar de fora da própria pele,
Cortejando maneiras de viver duas vidas no mesmo corpo.
Hoje, eu não queria ser eu.
O ser me continua, e hoje queria não ser.
O ser me denomina e me define,
E no hoje, nem o existir me viria a ser.
Seria o rastro do segundo, perseguindo as horas,
Seria um pingo na chuva que não passa.
Seria um símbolo, um acordo, o medo, o silêncio.
Seria um copo, um vazio, uma dose,
Para ser consumida, tragada, feita e desfeita.
Seria uma flor, ferina e quieta, para se desmanchar ao vento.
Hoje, não encontraria cor em nenhum ser,
Nem nenhum ser me inspiraria simpatia,
Hoje, morreria no branco e preto das minhas ideias.
Cortejando maneiras de viver duas vidas no mesmo corpo.
Hoje, eu não queria ser eu.
O ser me continua, e hoje queria não ser.
O ser me denomina e me define,
E no hoje, nem o existir me viria a ser.
Seria o rastro do segundo, perseguindo as horas,
Seria um pingo na chuva que não passa.
Seria um símbolo, um acordo, o medo, o silêncio.
Seria um copo, um vazio, uma dose,
Para ser consumida, tragada, feita e desfeita.
Seria uma flor, ferina e quieta, para se desmanchar ao vento.
Hoje, não encontraria cor em nenhum ser,
Nem nenhum ser me inspiraria simpatia,
Hoje, morreria no branco e preto das minhas ideias.
O não saber
Enxergando,
Enxugando o seus rastros pelo meu corpo,
Enxotando a saudade daqui.
Varrendo campos inteiros com o olhar,
Sem colorir uma gota de som,
Sem apreender ou registrar nem um rosto.
Sem agarrar uma lua sequer.
É um vazio que não me dói,
Mas é um vazio que faz sangrar os poros.
É um vazio que carrego durante os dias,
Que alimento durante as noites.
É um não saber,
E o não saber me pinga na alma.
O não saber arrasta o fim na sola do pé.
Enxugando o seus rastros pelo meu corpo,
Enxotando a saudade daqui.
Varrendo campos inteiros com o olhar,
Sem colorir uma gota de som,
Sem apreender ou registrar nem um rosto.
Sem agarrar uma lua sequer.
É um vazio que não me dói,
Mas é um vazio que faz sangrar os poros.
É um vazio que carrego durante os dias,
Que alimento durante as noites.
É um não saber,
E o não saber me pinga na alma.
O não saber arrasta o fim na sola do pé.
27.1.11
Insônia
Universo - um ponto na frase.
Uma mariposa que se debate na luz,
O pequeno passo de uma criança,
Corrida nos olhos, intensidade.
É imensa - a novidade do toque,
O calor, o enfoque, o torpor.
Me faz ventar por dentro,
Me faz voar.
Não é de dor que se faz,
do que se faz na relva, no mundo,
nas sombras.
É de amor, é do que se faz.
Vida. Um ponto na vida eterna que é a morte.
Uma mariposa que se debate na luz,
O pequeno passo de uma criança,
Corrida nos olhos, intensidade.
É imensa - a novidade do toque,
O calor, o enfoque, o torpor.
Me faz ventar por dentro,
Me faz voar.
Não é de dor que se faz,
do que se faz na relva, no mundo,
nas sombras.
É de amor, é do que se faz.
Vida. Um ponto na vida eterna que é a morte.
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