2.3.08

Adeus

Me diz assim ao pé do ouvido,
Esses suspiros são o que ninguém paga pra ter.
E num resto de dia frio, traz assim o verso, quero ver o verde que já foi.
A chuva que dobra na esquina é pra cair na sua janela,
E se misturar com a sua chuva, que desce de um jeito que só ela sabe,
E se desgasta pelas curvas do seu rosto.
E não é de tristeza, não é de leveza, não é de praça ao ver de todo o céu azul,
Que agora cinza banha de vértices as suas idéias, as suas loucuras.
Te vejo abrir-se como um silêncio se abre de cores quando dá o seu adeus ás palavras.
E quando são libertos sons de novas notas, e o silêncio definha,
Então são os olhos que eu paro de encarar que soltam cada parte do que é meu,
Quando nada quero falar.
E se um dia eu vir passar o mesmo velho, negro, teu olhar,
Digo o adeus que te corteja as mãos quanto me quero ir.
E deixo assim de lado meus pés,
Para que não escolham sozinhos para onde ir.
Como costumam fazer quanto sou eu que não sei como chegar, nem como sair.

As mulheres são seres divinos.

Mulheres são seres divinos. Os homens que sabem disso têm menos chances de cair na besteira de provocar sua ira. Quando se irrita os deuses, não há muito que se possa fazer. O cara tenta consertar, liga, pede compreensão, diz que não consegue viver sem ela, ou então, liga insistentemente, chama pra sair, ela nada. Freqüenta os lugares que ela costuma ir, só pra se irritar e ver que ela já mudou de vida. Ela não quer mais saber de limites, nem de ficar presa, morando dentro de caixinhas confortáveis, cheias de fitas coloridas e balões cor-de-rosa. Ela sabe agora, que o mundo é muito maior que aquelas caixinhas. Que é melhor ser livre do que ficar segura e apertadinha nas caixas que alguém fez pra ela, delimitando o seu vir a ser.
Quando a sensação de liberdade acomete uma mulher, então a sua ira se liberta, e ela não quer ser tratada como uma florzinha, ela sabe que tem sentidos e sentimentos muito mais resistentes que as pétalas que usou para se proteger do mundo. Ela sabe que não quer ser posse, nem objeto indispensável, mas quer que alguém conheça cada fio de cabelo seu, e valorize suas faces, e abrace seus sentidos, e conheça o pulsar do seu peito, assim como a palma da sua mão. Uma mulher que tem a ira no couro sabe que homem nenhum é maior que as possibilidades que ela pode criar, nem mais forte que os poderes que ela pode exercer, nem mais significante que o mundo que ela é capaz de sentir em instantes. Uma mulher que se aceita dessa maneira sabe que é uma deusa. E ela também sabe que nenhum homem no mundo está a par desses segredos por completo, nenhum homem partilha dessa aceitação, a não ser que ele seja muito bem casado, ou, sabiamente, goste de outros homens.

1.3.08

Uma terceira vez...

Uma terceira vez, suas mentiras e dinheiro sujo,
Suas medidas e copos vazios,
Seus Planos de Aceleração Conturbada,
Suas segundas vidas e prazos perdidos.
Mas ninguém agüenta, terceiros panos e terceiros Planos,
Nem mensais de corrupção.
O mandato é mais um Ato,
E se é inconstitucional,
Você têm lá suas terceiras vias,
Seus cálculos e baixarias.
O desespero do povo segura a sua onda.
Mas é a inocência que te compra a venda.

Irreal é a aparência, de quem cumpriu a sua meta,
Pé após pé na linha reta.
De populismo o inferno está cheio,
E pelo jeito o Brasil também.
Assim foi e assim será,
A platéia têm que interagir com o público.

Falhas de comunicação...

A falta de instrução causa uma falha de comunicação, e essa falha vai engordando e humilhando a educação. Separa a sociedade, mata a cultura, deixa a nação muda. E essa falha está em tudo, ta na rua, no preço, no gosto da vida, está na barba do presidente.
A informação que falta é por zelo á contragosto, o dinheiro que falta é por excesso de imposto. Se um buraco na estrada se tapa com burrada, os buracos na política são tapados de bom grado, com desculpas, agrado, novas votações. O populismo é de bico calado, o voto é contado antes da decisão, e se existe democracia, é na praça vazia, onde ninguém grita se não for na multidão.
Alguém me explica como que o brasileiro é tão bonzinho na hora do perdão, e tão bobinho na hora da eleição?
Se o papo não for na educação, eu não entendo.