Hoje amanheceu um dia meio feio,
Melancólico, nostálgico, saudosista.
Saudade de pessoas que não conheço,
Dias que nunca vivi,
Histórias que eu queria saber de cor,
Futuros próximos que eu tenho vontade de decifrar...
"Alguém aí no chão me explica, por favor..."
Como é que funciona essa máquina da vida?
É rompendo os dias que me sinto completa,
E como é que o hoje se encontra tão vazio?
Amanhã será um novo céu,
Com todas as horas pulsando de um jeito inédito,
Tudo mesclado em analogia.
Acho que às vezes as comparações estragam,
Em vez de original, uma mera frase vira cliché,
Um segundo som, segundo aviso,
Segundo plano.
Sinto subir no peito um verso,
Ele me rasga em duas partes,
Uma é livre e espontânea,
A outra é prisão.
O mundo gira ao contrário,
E o silêncio é nulo.
Pergunto-me porque será nulo agora
Se já não era antes de tudo voz...
Minha voz, interna, sendo dissimulada,
Cabível, compatível, conformada.
Será que o hoje poderá ser novo de novo?
Será que a análise não irá corromper o verso?
Queria que tudo fosse claro,
E tudo o é.
Que mais me rói o gosto amargo desse trago?
Que mais me dói no verso desespero?
Mistério esse que sem mistério se reparte.
Reparto-me em duas partes
Sem escolher em nenhuma auto-definição.
Eu amo sonhar e viver e correr e dançar e voar.
Mas será um dia qualquer o amar por amar?
E essa angústia de saber exatamente o que quero,
Delira-me uma lágrima em corrosivo laço.
Que raio é viver sem saber...
Que digo por saber e não viver?
Porque previsível é um traço numa tela,
Mas uma tela imprevisível não é necessariamente uma tela sem traço;
Corro...
A velocidade alcança,
Vejo-me voar.
Vejo-me querer poder...
E me pego querendo saber,
Querendo ver além do que posso escolher.
O dia amanheceu torto por um motivo qualquer,
E o mundo me disse não sem explicar por que.
Eu moldo meu chão como quero,
E os obstáculos se dobram á minha vontade.
Multiplico o desdém reverso de tramitar beleza sem medir razão,
Mas não me leia como um sorriso qualquer,
Minha alma tramita em sentidos diversos.
Não quero ser apenas outro rosto, apenas mais um corpo.
E o mundo que coloque as cartas na mesa,
Se quiser jogar comigo...
Do contrário, serei mais um problema sem resolução,
Mais um mistério que a ciência ignora,
Mais uma ausência silenciosa.
Digo que já não tenho medo.
O medo se esvai sempre que confio em mim mesma.
Pela confiança, me emancipo do medo.
Deixa-me voar,
Trancar um pássaro na gaiola é cortar suas asas.
Deixa-me viver...
A cada dia as palavras e o silêncio são mais bonitos,
Porque agregam mais significado.
Cai na tenda dos sonhos,
Onde cada segundo é mais intenso,
E onde planos paralelos perdem qualquer brilho.
O dia é um sopro qualquer,
Que quando sem começo meio e fim alavanca o senso.
Resoluções forçadas exalam utopia,
Mas tudo se encaixa,
E na hora certa,
O pulso se liberta.
E não existem perdas e danos no calçar das memórias,
Tudo é lucro.
E a liberdade não é a falta de apego,
Não é a condição do esquecimento,
E sim a flor do amor próprio, gentil e sincero,
Sem egoísmo...
Sem ilusão.
E tudo por que o amanhã é incerto,
Mas é extremamente atraente e sedutor.
A ausência de medo é a existência de força.Minha força...
Mistifica-se o verso, sem que signifique nada no tudo, sem que seja exceção á regra. Diria, sem medo nem voz, que se é um dia, que se o viva na poesia. Poemas e textos de Nadja Lopes
9.6.06
Novo Dia
Hoje é um novo dia.
Nesse novo dia, todos os sonhos tragam a realidade.
Eu canto esse novo dia e me domino,
E é do meu domínio que o meu mundo é feito.
Passo pelo teatro das faces todos os dias, mas apenas o tempo me convida a sorrir.
Trapaça dos ventos,
Que me trocam olhares sem espaço para parar e controlar o coração em transe.
Hoje é um novo dia,
Sem indagar duas vezes sigo o pulso,
O pulso que grita aqui dentro, me convidando a fazer da regra o soluçar da alma,
Pois que é vender a alma seguir qualquer regra que não seja do peito pra fora.
No meu mundo,
Todo dia é novo dia,
Todos são deuses.
Não quero automatizar as estradas,
Não quero dizer não ao instinto.
No meu traço, é o instinto que sente, é o instinto que ama.
Aqui não existem falhas desculpas,
Critérios para construir belas traves e viver entre muros...
Aqui, a intensidade define o momento,
O silêncio em si é uma palavra,
E o conhecimento pede escutar os pulsos do pensamento.
Contam-me os olhos alheios o que as palavras não dizem,
Porque sei que meus olhos também contam histórias sem fim.
Mas que a expressão permaneça viva sempre,
Para não manchar no destino o desespero.
Minha condição humana é sonhar e buscar o que as mãos têm dificuldade em alcançar,
Que facilidades são o ócio do querer difuso.
Sou o que sou, e serei o que quero ser,
Um dia, meu novo dia será completo.
Um dia, meus quereres se dirão saciados,
Saciar a alma é por aos pés os devaneios da insatisfação,
E sem conformes, sem dizeres baratos, por em prática a arte de sentir.
Ponho-me a cantar na trava do tempo,
Onde os milésimos são infinitos,
E a minha dança de idéias permeia o universo.
Hoje, configurações inválidas me procuram definir em vãs palavras,
Amanhã, minha existência irá exalar em imagem e som sua própria definição.
Serei o que quero ser, que o que quero têm asas e briga sozinho com as garras do vento,
Sou meu sul e meu norte, quem quiser brecha que venha correndo,
Que quando o sol se por, o completo será apenas metade do copo cheio de vazio.
Que impermeável é o sentido das coisas, quando cada qual tem seu tempo, e tonifica suas próprias idéias.
Eu sou eu. Única, variável e invencível,
E se o véu negro da noite não me destrói,
Não será o incerto que se fará receio,
E se o claro for escuro no claro e claro no escuro,
Bastará um ajuste no senso.
O nunca inexiste,
E mesmo assim nunca nada me impedirá de sentir,
Pois que se tomarem meu corpo,
E rasgarem nele a vida que pulsa,
Ainda assim meu sentir será meu.
Nesse novo dia, eu sou eu e pronto.
Nesse novo dia, todos os sonhos tragam a realidade.
Eu canto esse novo dia e me domino,
E é do meu domínio que o meu mundo é feito.
Passo pelo teatro das faces todos os dias, mas apenas o tempo me convida a sorrir.
Trapaça dos ventos,
Que me trocam olhares sem espaço para parar e controlar o coração em transe.
Hoje é um novo dia,
Sem indagar duas vezes sigo o pulso,
O pulso que grita aqui dentro, me convidando a fazer da regra o soluçar da alma,
Pois que é vender a alma seguir qualquer regra que não seja do peito pra fora.
No meu mundo,
Todo dia é novo dia,
Todos são deuses.
Não quero automatizar as estradas,
Não quero dizer não ao instinto.
No meu traço, é o instinto que sente, é o instinto que ama.
Aqui não existem falhas desculpas,
Critérios para construir belas traves e viver entre muros...
Aqui, a intensidade define o momento,
O silêncio em si é uma palavra,
E o conhecimento pede escutar os pulsos do pensamento.
Contam-me os olhos alheios o que as palavras não dizem,
Porque sei que meus olhos também contam histórias sem fim.
Mas que a expressão permaneça viva sempre,
Para não manchar no destino o desespero.
Minha condição humana é sonhar e buscar o que as mãos têm dificuldade em alcançar,
Que facilidades são o ócio do querer difuso.
Sou o que sou, e serei o que quero ser,
Um dia, meu novo dia será completo.
Um dia, meus quereres se dirão saciados,
Saciar a alma é por aos pés os devaneios da insatisfação,
E sem conformes, sem dizeres baratos, por em prática a arte de sentir.
Ponho-me a cantar na trava do tempo,
Onde os milésimos são infinitos,
E a minha dança de idéias permeia o universo.
Hoje, configurações inválidas me procuram definir em vãs palavras,
Amanhã, minha existência irá exalar em imagem e som sua própria definição.
Serei o que quero ser, que o que quero têm asas e briga sozinho com as garras do vento,
Sou meu sul e meu norte, quem quiser brecha que venha correndo,
Que quando o sol se por, o completo será apenas metade do copo cheio de vazio.
Que impermeável é o sentido das coisas, quando cada qual tem seu tempo, e tonifica suas próprias idéias.
Eu sou eu. Única, variável e invencível,
E se o véu negro da noite não me destrói,
Não será o incerto que se fará receio,
E se o claro for escuro no claro e claro no escuro,
Bastará um ajuste no senso.
O nunca inexiste,
E mesmo assim nunca nada me impedirá de sentir,
Pois que se tomarem meu corpo,
E rasgarem nele a vida que pulsa,
Ainda assim meu sentir será meu.
Nesse novo dia, eu sou eu e pronto.
Paz
O silêncio é o néctar.
Trago os olhos bem abertos,
A noite que já passou por aqui,
Não mais me adormece o pensar.
Não restaram marcas,
Não me sorri o lábio torto, morto da certeza.
Aquela marcha trôpega já não sussurra.
Eu corro, mas não são pegadas que me guiam.
O meu peito já não respira dor.
É paz.
Paz.
Aqui e agora vejo o céu aberto em seu sorriso.
Que luz chama o vento, dizendo palavras simples?
Significa um berro que se cala sem antes gritar.
Sutil é o veneno dessa chama.
Sutil é a garra presa sem poder ferir.
Aqui e agora são asas abertas para o céu.
O vento canta e conta uma história.
De berros faz-se brisa, doce sussurro...
O grito não cala, mas inexiste.
Sutil é a energia que me guia as veias.
Sutil é a beleza da felicidade que me seduz.
Sinto desintegrar o véu.
Esse corpo de ferro que me guarda o brilho.
A expansão é imediata.
O toque, a flor.
Acordo e o sonho é uma porta que se abre,
E jamais fecha.
Alguém mentiu,
Quando disse que a paz é a ausência de conflito.
Paz é a ciência do conflito.
Aceitar que existe a contraposição das idéias sempre.
E amar a sua essência.
Existe um novo som,
Jamais ouvido antes.
A segurança que é ouvir e saber,
É manter a razão,
Não importa o quão ilusionista seja essa cegueira.
Quando o som é interno ao pensar,
Escuto primeiro a mim.
Corto no meio o balanço das águas,
E o cheiro do sal se debruça sobre a pele.
Estou a assistir a transparência em olhos puramente claros.
A calma é agitada,
Como um gosto sóbrio que me domina e entorpece.
Respiro,
E o pulmão tem sede de fôlego.
Construo a liberdade de movimento,
Como á ignorar o êxtase e definir um contexto.
E faço soar em estardalhaço simples ações.
Utopia no meu mundo não faz parte do plano das idéias.
Tenho no realismo exacerbado uma atração contínua pelo porvir,
E assino em cada canto do Universo,
Pois que o amanhã será sempre um tenso conflito em sua plena resolução,
E que não seja jamais alcançada,
Para que a diferença seja sempre um marco,
E que a completude dos opostos seja o descansar da minha paz.
by nady
10.1.06
O Andar
Eu andei sozinha.
Cada passo um trago de coragem...
O quanto andei só as pernas sabem ao certo.
Andei com todo o peso a se libertar de mim,
E me senti leve, solta, livre.
Intensa.
Intensidade é um jogo,
E andei com toda a intensidade do mundo presa aos meus pés.
E fiz do chão o ar sem substância.
A intensidade me manipula e se faz senhora do meu arder.
Torna-se um pano imenso e atraente, belo como qualquer sonho.
Um véu, transparente e fosco, guardando segredos dentro de si.
É através dela que conheço o sentir.
Me toma e me faz escrava de um poder nulo,
O poder de sentir-me viva.
A intensidade me entorpece,
E me convence de que tudo é infinito.
Finais são apenas novos começos.
Novas estradas chamando meu nome.
Não me prendo a qualquer determinismo barato,
Que possa cortar as asas do meu infinito.
Nada é. Tudo muda.
E talvez a inconstância seja incrivelmente sedutora.
Não uma inconstância sem caráter,
Mas a inconstância que é a vida.
Se tudo sempre fosse fácil e igual,
Viver não seria um desafio.
Eu andei sozinha,
E para mim foi um desafio.
Eu me fiz sozinha.
Cortejando a independência cega e concreta.
E moldei meu mundo a partir de certezas que me faziam forte.
Solitária razão do sangue,
Alimentando o corpo sem pedir nada em troca.
Simbiose... E vazio.
Não quero ser sangue, nem quero me ruir em corpo.
Quero ser sangue e corpo, juntos,
E qualquer complemento será distração.
Hoje eu me sinto uma parte inteira,
E não quero uma compaixão dormente,
A me roubar a intensidade.
Não quero ser escrava de uma dor,
Não quero um céu em pedaços,
Sem memória, sem perdão.
Não preciso mais que acredites em mim.
Porque eu acredito e confio em mim mesma.
Sou o arco-íris depois da chuva.
Sou o tempo fora do compasso,
Sou uma vela acesa,
Um sorriso em meio á uma lágrima.
Uma impotência cheia de força,
Vulnerável apenas em certos cantinhos da mente.
Eu me permaneço completa.
Sirva-me o universo,
Porque dele sou discípula.
E me ceda o carinho,
E uma certeza que não seja quadrada.
Sei que não me faço uma rosa presa no canvas,
Sei que a liberdade pode ser uma ilusão,
Mas também sei que eu sou real,
E talvez, alguém no mundo,
Seja real também.
Cada passo um trago de coragem...
O quanto andei só as pernas sabem ao certo.
Andei com todo o peso a se libertar de mim,
E me senti leve, solta, livre.
Intensa.
Intensidade é um jogo,
E andei com toda a intensidade do mundo presa aos meus pés.
E fiz do chão o ar sem substância.
A intensidade me manipula e se faz senhora do meu arder.
Torna-se um pano imenso e atraente, belo como qualquer sonho.
Um véu, transparente e fosco, guardando segredos dentro de si.
É através dela que conheço o sentir.
Me toma e me faz escrava de um poder nulo,
O poder de sentir-me viva.
A intensidade me entorpece,
E me convence de que tudo é infinito.
Finais são apenas novos começos.
Novas estradas chamando meu nome.
Não me prendo a qualquer determinismo barato,
Que possa cortar as asas do meu infinito.
Nada é. Tudo muda.
E talvez a inconstância seja incrivelmente sedutora.
Não uma inconstância sem caráter,
Mas a inconstância que é a vida.
Se tudo sempre fosse fácil e igual,
Viver não seria um desafio.
Eu andei sozinha,
E para mim foi um desafio.
Eu me fiz sozinha.
Cortejando a independência cega e concreta.
E moldei meu mundo a partir de certezas que me faziam forte.
Solitária razão do sangue,
Alimentando o corpo sem pedir nada em troca.
Simbiose... E vazio.
Não quero ser sangue, nem quero me ruir em corpo.
Quero ser sangue e corpo, juntos,
E qualquer complemento será distração.
Hoje eu me sinto uma parte inteira,
E não quero uma compaixão dormente,
A me roubar a intensidade.
Não quero ser escrava de uma dor,
Não quero um céu em pedaços,
Sem memória, sem perdão.
Não preciso mais que acredites em mim.
Porque eu acredito e confio em mim mesma.
Sou o arco-íris depois da chuva.
Sou o tempo fora do compasso,
Sou uma vela acesa,
Um sorriso em meio á uma lágrima.
Uma impotência cheia de força,
Vulnerável apenas em certos cantinhos da mente.
Eu me permaneço completa.
Sirva-me o universo,
Porque dele sou discípula.
E me ceda o carinho,
E uma certeza que não seja quadrada.
Sei que não me faço uma rosa presa no canvas,
Sei que a liberdade pode ser uma ilusão,
Mas também sei que eu sou real,
E talvez, alguém no mundo,
Seja real também.
9.1.06
Se Finit
Quando eu entro aqui dentro o nosso mundo começa,
Ao encostar da porta, ele acaba.
Vazio, pesado e curvo,
Esse lugar lindo se esvai,
Vai guardar sua dor noutro lugar.
Se finit.
Abarrota o sentido das coisas,
Que esperança é o sulco desse olhar difuso.
Mas de sonhos se constroem castelos, e talvez uma realidade tensa,
Que sorrateira incide nesse por de sol.
Por-se-á no céu com um tique,
Um certo marchar de carruagem...
Que de tão seco será intenso e nunca, jamais, será igual.
Igualidades me condenam.
E num passe, o redor é vale,
Um lugar solto, onde as rosas se jogam no vulcão em transe.
Asas para voar aqui solidificam,
Não há para onde voar,
O teto é baixo,
A luz é fraca,
O dia é noite.
A garra desse chão escuro é densa.
De garra densa se faz alma e névoa.
Que um dia, será forte e concisa.
Na intragável fonte do sentir,
Abro-me em pétalas azuis,
Que esse futuro próximo é em paz.
Pinto a noite de preto porque foi minha também,
O céu dá apenas a lua como garantia de lanterna.
E nuvens passam,
Como pinceladas num achar contínuo, cheio de inseguranças sem par.
Debruço-me no silêncio que encanta o mar,
Que hoje a luz é clara e o dia é belo.
E a noite do medo já se vê bem longe...
Campo aberto em som se faz audível,
Canto a peito calmo,
E é tenso ver-te em sonho.
Mando buscar um copo d'agua,
Que é pra lavar a alma e engolir a vida.
Para saciar aquela minha sede
Que é insaciável.
Ilusão compacta e sóbria,
E me vejo a bater nas mesmas portas e esperar resposta.
De tudo um nada se fez louco tragar paixão.
De novo um sonho bebe sua nesga de luz.
Uma baforada do passado,
Tingindo o bordô de culto.
Num outro lugar,
Noutro tempo,
Tudo se faz tão claro quanto uma original difusão de idéias.
Bater de asas das borboletas.
Mais de cem, todas amarelas,
Dançando no ar em coreografia disforme.
Nesse dia, o disforme se tornou sinônimo de beleza.
Nem todo o charme se desfaz em luz,
Nem toda beleza é bela de se admirar.
Nem todo dia é dia,
Nem toda noite é noite.
E por mais clara que seja, toda definição é um pouco vazia.
Que neste lugar vulcânico,
Definições são mentiras,
O diálogo é livre,
Mas os conceitos são pobres,
Belos, grandes, charmosos e pobres,
Feios de se admirar.
Querer é a única utopia concreta,
Pois que o querer não codifica,
Apenas quer.
E esse querer pequeno, mesquinho, poderoso,
Não enche barriga.
Queria dizer que já não sinto o sangue subir nas veias e saltar dos poros.
Mas tentaria sinceramente não totalizar,
Que num querer ingênuo e cego transformo em mar o céu.
E seria singelo crer, que nada disso é, nada disso foi, e o que foi será.
Seria um rodopio na ordem das horas que compõe o dia.
Meu querer é claro, e nem por isso mentiroso.
O que quero não se resume em pessoas, dias, horas ou paz.
Não é honraria qualquer, não é utopia barata.
Não é a mera segurança do sentir estático,
Mas é a volúpia que desintegra qualquer senso de tempo, que me impulsiona.
Por vezes soube apenas absorver, sem o trago bêbado da analise,
E me tornei invencível ao poder das horas,
Inexisti o andamento pedante, e fiz do tempo infinito.
Se o tempo se fez infinito ou se eu o fiz insignificante, não sei.
Mas sei que agora o teto é alto o suficiente para que eu possa voar,
E talvez, o teto seja uma ilusão de ótica, auto imposta para me manter presa e codificável, transparente, definível, previsível, um mistério solucionado.
Fiz minha escolha,
Escolhi ser eu.
Sem cortes e sem travas, eu, indefinível.
Pois que é definível e estático tudo que nunca cresce.
Escolhi não trabalhar com suposições.
Seria um escudo forte o suficiente para me salvar de mim mesma?
Claro.
Que o que quero na verdade, não é fácil, mas é plenamente alcançável.
Não necessariamente se dá por esforço.
Algumas pessoas ganham o que quero de mão beijada,
Outras têm que batalhar para conseguir.
O que quero, não é nenhuma espécie de síndrome da perfeição.
O que quero, não é um ter tirano,
Não é um possuir egoístico.
O que eu quero senhoras e senhores,
É algo como a simplicidade do desinteresse,
Acredito que esbarrei com isso um dia,
E eis que fugiu ao largo, silencioso e implacável tempo.
Banhado com o medo de sentir,
Escorregando pelas mãos entreabertas...
Não quero o querer, não quero falta de mérito,
Não quero a estupidez ignorante.
Não quero a impotência vulnerável que acompanha as mãos atadas.
Não quero um destino escrito e pronto,
Quero escrevê-lo.
Não me quero atracar a nenhum porto seguro.
Meu porto seguro é bem mais digno do que um descanso prolongado á beira de um sonho.
O que quero, ainda está por ser quisto.
Quero ver quem contém a chave do meu mistério...
Por enquanto, quem já a conheceu por alto um dia, á perdeu por descuido.
Morte á estatística.
Eu sei bem como inexistir qualquer teto.
Garras no dia claro,
E que seja claro o dia,
Como não soube ser a noite,
Mas que ás vezes seja escuro,
Para não cegar meus olhos com a ignorância.
Um dia, não haverá mais mistério.
Não cortejo a sua ausência,
Mas não imploro a sua presença,
Há quem diria que seria indiferente.
Eu diria que definições são mentiras,
Ideologias que se veste para enxergar a verdade com mais conforto.
Morte ao maldito fruto dos pensamentos impensados, porque dele resultam erros incalculáveis, e conseqüências cheias de lágrimas.
by nady
Ao encostar da porta, ele acaba.
Vazio, pesado e curvo,
Esse lugar lindo se esvai,
Vai guardar sua dor noutro lugar.
Se finit.
Abarrota o sentido das coisas,
Que esperança é o sulco desse olhar difuso.
Mas de sonhos se constroem castelos, e talvez uma realidade tensa,
Que sorrateira incide nesse por de sol.
Por-se-á no céu com um tique,
Um certo marchar de carruagem...
Que de tão seco será intenso e nunca, jamais, será igual.
Igualidades me condenam.
E num passe, o redor é vale,
Um lugar solto, onde as rosas se jogam no vulcão em transe.
Asas para voar aqui solidificam,
Não há para onde voar,
O teto é baixo,
A luz é fraca,
O dia é noite.
A garra desse chão escuro é densa.
De garra densa se faz alma e névoa.
Que um dia, será forte e concisa.
Na intragável fonte do sentir,
Abro-me em pétalas azuis,
Que esse futuro próximo é em paz.
Pinto a noite de preto porque foi minha também,
O céu dá apenas a lua como garantia de lanterna.
E nuvens passam,
Como pinceladas num achar contínuo, cheio de inseguranças sem par.
Debruço-me no silêncio que encanta o mar,
Que hoje a luz é clara e o dia é belo.
E a noite do medo já se vê bem longe...
Campo aberto em som se faz audível,
Canto a peito calmo,
E é tenso ver-te em sonho.
Mando buscar um copo d'agua,
Que é pra lavar a alma e engolir a vida.
Para saciar aquela minha sede
Que é insaciável.
Ilusão compacta e sóbria,
E me vejo a bater nas mesmas portas e esperar resposta.
De tudo um nada se fez louco tragar paixão.
De novo um sonho bebe sua nesga de luz.
Uma baforada do passado,
Tingindo o bordô de culto.
Num outro lugar,
Noutro tempo,
Tudo se faz tão claro quanto uma original difusão de idéias.
Bater de asas das borboletas.
Mais de cem, todas amarelas,
Dançando no ar em coreografia disforme.
Nesse dia, o disforme se tornou sinônimo de beleza.
Nem todo o charme se desfaz em luz,
Nem toda beleza é bela de se admirar.
Nem todo dia é dia,
Nem toda noite é noite.
E por mais clara que seja, toda definição é um pouco vazia.
Que neste lugar vulcânico,
Definições são mentiras,
O diálogo é livre,
Mas os conceitos são pobres,
Belos, grandes, charmosos e pobres,
Feios de se admirar.
Querer é a única utopia concreta,
Pois que o querer não codifica,
Apenas quer.
E esse querer pequeno, mesquinho, poderoso,
Não enche barriga.
Queria dizer que já não sinto o sangue subir nas veias e saltar dos poros.
Mas tentaria sinceramente não totalizar,
Que num querer ingênuo e cego transformo em mar o céu.
E seria singelo crer, que nada disso é, nada disso foi, e o que foi será.
Seria um rodopio na ordem das horas que compõe o dia.
Meu querer é claro, e nem por isso mentiroso.
O que quero não se resume em pessoas, dias, horas ou paz.
Não é honraria qualquer, não é utopia barata.
Não é a mera segurança do sentir estático,
Mas é a volúpia que desintegra qualquer senso de tempo, que me impulsiona.
Por vezes soube apenas absorver, sem o trago bêbado da analise,
E me tornei invencível ao poder das horas,
Inexisti o andamento pedante, e fiz do tempo infinito.
Se o tempo se fez infinito ou se eu o fiz insignificante, não sei.
Mas sei que agora o teto é alto o suficiente para que eu possa voar,
E talvez, o teto seja uma ilusão de ótica, auto imposta para me manter presa e codificável, transparente, definível, previsível, um mistério solucionado.
Fiz minha escolha,
Escolhi ser eu.
Sem cortes e sem travas, eu, indefinível.
Pois que é definível e estático tudo que nunca cresce.
Escolhi não trabalhar com suposições.
Seria um escudo forte o suficiente para me salvar de mim mesma?
Claro.
Que o que quero na verdade, não é fácil, mas é plenamente alcançável.
Não necessariamente se dá por esforço.
Algumas pessoas ganham o que quero de mão beijada,
Outras têm que batalhar para conseguir.
O que quero, não é nenhuma espécie de síndrome da perfeição.
O que quero, não é um ter tirano,
Não é um possuir egoístico.
O que eu quero senhoras e senhores,
É algo como a simplicidade do desinteresse,
Acredito que esbarrei com isso um dia,
E eis que fugiu ao largo, silencioso e implacável tempo.
Banhado com o medo de sentir,
Escorregando pelas mãos entreabertas...
Não quero o querer, não quero falta de mérito,
Não quero a estupidez ignorante.
Não quero a impotência vulnerável que acompanha as mãos atadas.
Não quero um destino escrito e pronto,
Quero escrevê-lo.
Não me quero atracar a nenhum porto seguro.
Meu porto seguro é bem mais digno do que um descanso prolongado á beira de um sonho.
O que quero, ainda está por ser quisto.
Quero ver quem contém a chave do meu mistério...
Por enquanto, quem já a conheceu por alto um dia, á perdeu por descuido.
Morte á estatística.
Eu sei bem como inexistir qualquer teto.
Garras no dia claro,
E que seja claro o dia,
Como não soube ser a noite,
Mas que ás vezes seja escuro,
Para não cegar meus olhos com a ignorância.
Um dia, não haverá mais mistério.
Não cortejo a sua ausência,
Mas não imploro a sua presença,
Há quem diria que seria indiferente.
Eu diria que definições são mentiras,
Ideologias que se veste para enxergar a verdade com mais conforto.
Morte ao maldito fruto dos pensamentos impensados, porque dele resultam erros incalculáveis, e conseqüências cheias de lágrimas.
by nady
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