Mistifica-se o verso, sem que signifique nada no tudo, sem que seja exceção á regra. Diria, sem medo nem voz, que se é um dia, que se o viva na poesia. Poemas e textos de Nadja Lopes
9.10.07
Poesia
Na zombaria dessa velha onda,
Sem a loucura densa do rumor sem fim.
O fio tece a teia, não a teia tece o fio.
Travessia torta,
Pavio curto,
E de errado a direito não se têm notícia.
Porque se assopra o vento nu?
Nesse dia sem começo nem fim,
Sem raiz no tronco...
Descontinue o caule que leva á flor.
Desvie o músculo se é que te dói romper,
Se é que te dói doer,
Se é que é torpe ainda essa noite no dia,
Sem dia na noite.
Agora, neste espaço de tempo que sombreia;
Sem na sombra tingir o cerco,
Conte ao pé do ouvido,
O que define o tempo como sentido?
O que define a cor como gosto?
O que é um ríspido traço de linha;
No papel sem trava,
No amor sem trova,
No silêncio que é palavra?
Mistifica-se o verso,
Sem que signifique nada no tudo,
Sem que seja exceção á regra.
Diria, sem medo nem voz,
Que se é um dia,
Que se o viva na poesia.
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