9.10.07

O sorriso

O recado deixa de ser sutil quando foge á regra,
Discreto, doce,
Apologia ao soar de um gesto.
Dançaria de cabeça para baixo,
Com o fio cortante no rosto.
Dormiria de olhos abertos,
Ausentaria da expressão o corpo.

O céu, berço envolto,
Hipocrisia como o termo do dia.
Treme na terra um rosto,
Roto, posto que de luz inflama.
Carapuça é como que véu,
Que se veste sem abrir e se despe sem sentir,
A cor não se vê se não existe.

Perspectiva,
Gosto e som embutido na imagem.
Na rua se vê um sonho,
Atropelam o ônibus...
A justificativa é um sorriso,
Que de tão grande cabe no rosto,
Cabe na vida,
Cabe na palma da mão.

Lá fora os pássaros cantam.
Mas dentro do sopro,
A cachola aguarda,
Guarda seguro o punho
Guarda o vinho antigo.

A mão toca,
O olhar conduz,
O corpo definha.
De tão grande,
A armadilha engole.
Cava a curva cova rasa,
Que curta encobre a capa.

Tão pequeno o sorriso,
Que cabe no rosto,
Cabe no gosto,
Cabe na palma da mão.

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