9.10.07

Sangria Desatada

Bailar os véus que me cercam é sempre um dom,
Por vezes, um dom que eu não tenho.
Me sobe o sangue nas veias assistir o que não me agrada,
E me convenço que isso é ser humano.
E aí vejo que nem todo mundo sente intensidade, ou pensa sobre ela.
Isso me faz sentir um diferencial em qualquer índice.
Quem quer que considere pessoas estatísticas,
Ou um rostinho bonito, que talvez sem cérebro passe pela vida sem pensar,
Não cogita a realidade pura, real, intensa, de ser o que se é.
De voar com o poder do pensamento,
E ser quem se quer ser.
E ser o que será.

Não pretendo domar o mundo,
Basta-me entendê-lo.
E por vezes, queria ser ingênua,
Para não entendê-lo tão bem.

Existe uma estrada
Que segue sozinha a lugar nenhum,
E pessoas que seguem em frente sem realmente existir.
Numa outra estrada, eu sigo.
Ela me pertence, nela eu danço canto e faço tudo se mover noutro tempo.
Nela eu existo.
Nessa estrada tramitam pessoas afins, pessoas que passaram por aqui e se fizeram presentes.
Através dessas pessoas eu construo minha história,
Com fatos e suposições.
E talvez, na breve construção que já fiz,
Saiba fortalecer a coragem,
E procurar nela a força que me falta ás vezes.
Que seja a força para seguir o que eu acredito.
Sem o estático,
Sem o rótulo,
Sem conceito.
Que seja a força para ser invencível.
Invencível a mim mesma.
Invencível ás minhas fraquezas.

Me aceito, penso, me faço existir,
Mas me cerca uma certeza, de que tudo se encaixa no seu tempo.
E é essa certeza que me faz viva.
E que me dá vontade de viver.

Queria que fosse uma certeza comum a todos,
Como uma segurança de que tudo segue seu rumo conforme se deseja.
E então tudo seria diferente.
Tudo seria sem dor.
Ninguém precisaria macular as estrelas para se fazer forte.
Sangria desatada é manchar de véu o sangue em pranto.
Agora me faço viver e não chorar,
E é aquela certeza, de que o dia amanhece belo todos os dias,
Que me imprime no rosto a vontade de sorrir sempre.
Amo, logo existo.

Amar é sentir o sol forte bater no rosto, e não franzir a testa.
O sol é o medo e a intensidade. Abrir os olhos e não piscar é lutar contra uma natureza que sempre existe na mesma forma, sempre faz as mesmas coisas e não cresce cortejando a mudança. Se a mudança for arrebatar os arredores estáticos, Seja bem vinda.
By nady

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