9.10.07

Saudade

Antes fosse aquele tipo de silêncio,
Que agarra na intensidade um suspiro.
Fechar os olhos seria estar segura,
Se houvesse a respiração ofegante que conjura um abraço.
Nesse espaço em branco construo meu cais...
Espero uma onda passar que me entregue a chave do vento,
Cantando o que é sorrir e sonhar na presença de uma memória.
Tenho como passo certo,
O rastro do destino
Deixando pistas a cada curva,
Para delinear teu pensamento em cor.
Tempo livre, compasso incerto.
Deixa-me a certeza do crer e saber...
Que me procuro silenciar quando vejo,
E me corrijo o erro de encerrar transparência em cerco.
Procura-me o olhar a pairar no punho,
Que me faço força a esperar
Quando palavras se fazem figuras,
E gestos se tornam palavras.
Mas abandona as entrelinhas,
E rompe o gelo,
Que já não existe cerca, nem muro, nem jaula,
Que possa se fazer distância...
Dá a deixa,
Que fechar a porta é deixar passar.
E a saudade se faz taquicardia,
Expressa em adrenalina.

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