9.10.07

Nua

Era uma fera,
E estava nua.
Nua diante de todos...
E por muito tempo esteve nua,
Muito tempo sem cuidar de sí,
Sem olhar para sí.

Muito tempo a ouvir o que muitos achavam que deveria ser feito. A pernoitar nas verdades alheias, para ver se algo tinham a ver com as suas verdades.

Então foi posta nua, por todos, diante de sí mesma.
E gostou mais de sí do que de tantos outros sujeitos,
Tão cheios de sí que de nada eram feitos,
Tão cheios do nada que rotulavam o mundo.

Era uma corte,
E estava nua.
Nua de ser julgada,
Nua de ser considerada como muitos outros o são.

Pensava que estando nua seria real.
Não seria uma sombra como tantas outras,
Seria verdadeira,
Seria alguém de verdade.

Mas a verdade é que nua não estava.
Não estava nua de sí.
Estava nua de todos.
Tão nua que já não era transparente para sí mesma.

Ela vestiu suas formas,
Vestiu os seus gostos,
E nua de sí,
Vestiu-se.

Nunca,
Ninguém mais pôde despi-la.