5.2.08

nada sinto.

Só sei que nada sinto,
Apenas velhos fragmentos.
Sei que preciso de tanto,
Sem esse tanto não me mexo,
Não me encanto.

Não desligo a noite porque não me sinto.
Anestesia geral,
Suprimento de absinto.
Na boa, o silêncio me acalma.
Devolve aquela rosa,
Aquele riso que me salva.

E se não fosse nada,
Eu nem saberia,
E se tudo fosse, seria.
E ainda não me sinto pulsar,
O que tinha de aventura,
Tinha de sombra na relva da loucura.

Só um amor existe?
Quero ir embora,
Nada mais me insiste.
Dores que me tiram o ar,
É que libertam o que tenho á pagar.
Cumprimentam com graça cada novo pesar.

É tudo antigo.
Como se o passado pudesse aparecer na porta da frente,
Encarando a gente de frente.
O nada de nada que me escorre á fronte,
A laia do intelecto na porta do mundo.
Quem poderia competir?
Quem poderia insistir?

Me larga na cara aquele tapa,
Vê se me acorda do sono de anos atrás
Se antes era muda agora tenho capa.
Agora sou apaixonada por mim,
E me amo num devaneio sem fim.
E, no entanto não sinto.
Não, nada.
Nada sinto.

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