É você namora eu.
Sim, eu avião.
A última coca-cola do verão.
Quando eu passo,
Paro o trânsito,
Toca a buzina do caminhão.
O pedestre do lado diz:
"Que mulherão!"
Eu disfarço, sussurro um palavrão.
Mas você só me acha linda,
Deitada no seu colchão.
Só quando eu tô na rua,
Você segura a minha mão.
É, você namora eu.
Garota de Ipanema do Cerrado Nacional,
Quando eu passo,
Nêgo freia até longe do pardal.
Mas você só me quer mal,
Me trata feito bicho,
De viver no quintal,
Só me quer de langerie,
Unha feita, coisa e tal.
É, você namora eu.
Já te digo que tô beirando eira,
Arrumo um outro alguém,
Daqui pra sexta-feira.
De mulher a trepadeira,
Arrumo um outro alguém,
Daqui pra sexta-feira.
Mistifica-se o verso, sem que signifique nada no tudo, sem que seja exceção á regra. Diria, sem medo nem voz, que se é um dia, que se o viva na poesia. Poemas e textos de Nadja Lopes