10.2.08

O rabo de saia

Era noite.
Era dia.
Era isso aí,
E nada se dizia.

Eram mãos dadas,
Roupas lavadas,
Os filhos de fralda,
Os lençóis enviesados,
E nada mudava.

Todas as noites de amor,
Era a rotina quem organizava.
Todos os abraços,
Era a amizade que conjurava

E um dia,
Um rabo de saia,
Passeando sozinho na rodovia,
Resgatou a sua alegria.

De lado a melancolia,
Cara a cara com a simpatia.
O rabo de saia na rodovia,
A cantada, a chamaria.

Era isso aí,
Era noite,
Era dia,
Tudo se podia.