Era mesmo peso.
Olhando de lado,
Assim, debruçado,
Descansado na janela do porvir.
Era um novo gosto,
Que mudava todo o resto,
Fazia novo gesto,
Salgava a rouca voz.
E dava pra fingir que não tinha nada,
Nenhuma sombra assim deitada,
Nenhum pouco da vontade que escorre o verso.
Nenhum pouco da vontade que gera o gesto.
E de tanto não se falar nada era tudo um resto de nata,
E cheio de tanta verdade,
Senhor de qualquer vontade,
O silêncio foi fazendo morada.
Na beira da estrada já não tinha o nada,
Na porta da casa uma nesga de raiva,
No alto do cenho uma culpa sincera.
No resto de voz a realidade sossega.
A volta do giro calma a tempestade que desce,
A gota da gota amortece o vento que sopra,
E a coragem foi passear e ainda há sem volta.
Assim como a fraqueza que ameaça rasgar a trova.
Mas isso é só um novo meio pra mesma história,
Que sempre começa e termina sem jeito,
E sem surpresas, sem inovações,
Passa, deixando suas marcas no cimento da alma.
Até os sorrisos mudaram de tom.
Me pergunto se é mesmo preciso sorrir,
E as promessas para comigo mesma se tornam as mais difíceis de cumprir.