8.6.09

O mesmo peso

Era mesmo peso.

Olhando de lado,

Assim, debruçado,

Descansado na janela do porvir.

Era um novo gosto,

Que mudava todo o resto,

Fazia novo gesto,

Salgava a rouca voz.

E dava pra fingir que não tinha nada,

Nenhuma sombra assim deitada,

Nenhum pouco da vontade que escorre o verso.

Nenhum pouco da vontade que gera o gesto.

E de tanto não se falar nada era tudo um resto de nata,

E cheio de tanta verdade,

Senhor de qualquer vontade,

O silêncio foi fazendo morada.

Na beira da estrada já não tinha o nada,

Na porta da casa uma nesga de raiva,

No alto do cenho uma culpa sincera.

No resto de voz a realidade sossega.

A volta do giro calma a tempestade que desce,

A gota da gota amortece o vento que sopra,

E a coragem foi passear e ainda há sem volta.

Assim como a fraqueza que ameaça rasgar a trova.

Mas isso é só um novo meio pra mesma história,

Que sempre começa e termina sem jeito,

E sem surpresas, sem inovações,

Passa, deixando suas marcas no cimento da alma.

Até os sorrisos mudaram de tom.

Me pergunto se é mesmo preciso sorrir,

E as promessas para comigo mesma se tornam as mais difíceis de cumprir.