3.5.11

Inferno mental

Passei por um inferno mental. Durou quase duas semanas.
É como se eu estivesse vendo o mundo por meio de duas lentes míopes, negras e embaçadas.
Como se eu estivesse amarrada, contida, sufocando, sufocando, esperando alguém pra me salvar.
Mas quem vai me salvar de mim mesma?
A verdade é que só quem pode me salvar sou eu.
A partir do momento que a responsabilidade da minha paz é minha, as lentes se perdem no mundo,
e eu me acho.
Eu: intensa, incógnita, incoerente, livre.
Livre do medo, da incerteza, da lente míope que quer criar um universo de fantasia.
As coisas são. Elas são como são.
Encaixar a vida na perfeição idiota que se plasma na mente é no mínimo estúpido.
Porque se cria dor, sofrimento e cansaço, por nada.
Então se as coisas são, se observa o ato de ser e só. Nada mais.
É aí que as coisas se tornam maleáveis, quando se admite a sua existência.
A flexibilidade nada mais é do que tornar maleáveis situações, comportamentos e pensamentos petrificados.
E o conforto surge novamente (não a acomodação) e sim o conforto de se estar na própria pele.
A beleza de estar enraizado na vida.
De sentir os pensamentos passarem como ondas, enquanto você permanece.
Se tudo passar, se o mundo passar, você permanece.
Vivo, intenso, entregue a si mesmo, irradiando luz e mel.