19.10.10

Se era tudo, se era um pouco, se...
A verdade, de cada qual se serve.
Servidos estamos todos.
Em bandejas diversas,
Qual o seu gosto?
Qual o seu credo?
Qual a sua cor, o seu verso,
a sua dor?
Se algo te resta, acalma, desperta,
Então nada mais incide, nem resiste.
É uma escolha, uma página, uma música.
Seriam os raios, as nuvens, os encontros, as despedidas,
Apenas passíveis de escolhas?
É um toque com a palma da mão,
A energia constante que precede os sentidos,
O retoque nos olhos,
A dor de sentir.
Sentir na pele, nas ideias.
A beleza de sentir.
A beleza.
A vida, a beleza.
Não seriam disformes?
As cores, as gotas, o suor incandesce.
O melodrama, o impulso, a força constante.
É que restam espectros na memória,
Restam imagens nas retinas.
Restam poucas coisas,
De que se sente, muito ou pouco, um inferno, um céu, um desejo;
A mente migra de ponto em ponto,
De canto em canto,
De medo em medo.
De dor, de sede, de ânsia, de completude, de falta.
Eram assim feitos os dias,
Da fumaça que percorre os pensamentos,
Do amor que acalma as mãos e os pés,
Levita no senso, permeia o nosso universo.
Faltem meus diagramas,
Minhas pegadas,
Meus amigos distantes.
Falta nas mãos um sossego.