9.6.06

Novo Dia

Hoje é um novo dia.
Nesse novo dia, todos os sonhos tragam a realidade.
Eu canto esse novo dia e me domino,
E é do meu domínio que o meu mundo é feito.
Passo pelo teatro das faces todos os dias, mas apenas o tempo me convida a sorrir.
Trapaça dos ventos,
Que me trocam olhares sem espaço para parar e controlar o coração em transe.
Hoje é um novo dia,
Sem indagar duas vezes sigo o pulso,
O pulso que grita aqui dentro, me convidando a fazer da regra o soluçar da alma,
Pois que é vender a alma seguir qualquer regra que não seja do peito pra fora.
No meu mundo,
Todo dia é novo dia,
Todos são deuses.
Não quero automatizar as estradas,
Não quero dizer não ao instinto.
No meu traço, é o instinto que sente, é o instinto que ama.
Aqui não existem falhas desculpas,
Critérios para construir belas traves e viver entre muros...
Aqui, a intensidade define o momento,
O silêncio em si é uma palavra,
E o conhecimento pede escutar os pulsos do pensamento.
Contam-me os olhos alheios o que as palavras não dizem,
Porque sei que meus olhos também contam histórias sem fim.
Mas que a expressão permaneça viva sempre,
Para não manchar no destino o desespero.
Minha condição humana é sonhar e buscar o que as mãos têm dificuldade em alcançar,
Que facilidades são o ócio do querer difuso.
Sou o que sou, e serei o que quero ser,
Um dia, meu novo dia será completo.
Um dia, meus quereres se dirão saciados,
Saciar a alma é por aos pés os devaneios da insatisfação,
E sem conformes, sem dizeres baratos, por em prática a arte de sentir.
Ponho-me a cantar na trava do tempo,
Onde os milésimos são infinitos,
E a minha dança de idéias permeia o universo.
Hoje, configurações inválidas me procuram definir em vãs palavras,
Amanhã, minha existência irá exalar em imagem e som sua própria definição.
Serei o que quero ser, que o que quero têm asas e briga sozinho com as garras do vento,
Sou meu sul e meu norte, quem quiser brecha que venha correndo,
Que quando o sol se por, o completo será apenas metade do copo cheio de vazio.
Que impermeável é o sentido das coisas, quando cada qual tem seu tempo, e tonifica suas próprias idéias.
Eu sou eu. Única, variável e invencível,
E se o véu negro da noite não me destrói,
Não será o incerto que se fará receio,
E se o claro for escuro no claro e claro no escuro,
Bastará um ajuste no senso.
O nunca inexiste,
E mesmo assim nunca nada me impedirá de sentir,
Pois que se tomarem meu corpo,
E rasgarem nele a vida que pulsa,
Ainda assim meu sentir será meu.

Nesse novo dia, eu sou eu e pronto.

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