27.5.12

Pela primeira vez em muito tempo eu me sentira livre. Dancei sem medir espaço enquanto você me olhava. Você é apenas uma idéia, eu não te conheço e não sei se você é real. Seu corpo existe e se impõe na minha percepção finita de ser e ver. Você resiste bravamente no meu imaginário, assim como existem imagens de estrelas e nuvens e sons de canções que permanecem mesmo após terem sido esgotados pelos pensamentos. O seu corpo se impõe na minha memória e me hipnotiza. Faz tanto tempo que eu não arrisco embebedar-me em meio a encantos tão explícitos....  Eu vejo como elas te vêem, e sei que é exato o encanto, o físico, uma aparência nada sutil. E invento um sentido extra que possa justificar uma atração tão vazia e simplória. A verdade é que o simples fascina e o silêncio alimenta uma fantasia sem fim, de forma que não sei se me interesso ou se a física dos nossos corpos faz com que eles se gritem e se intimem mutuamente. A ciência do incômodo se faz presente e me diz que é factível este desejar, é um esboço linear, é um formigar dos sentidos, flamejando e caçando espaços pelos quais cedo enfim a uma fadiga sensorial. É uma excitação singular e ao mesmo tempo comum. Olhos que encaram e mãos que se experimentam pela primeira vez, como se quisessem traduzir em palavras o que pensam nossos corpos. E eu tenho apenas que agradecer a poesia implícita, pois que a sua existência me fascina e a mera possibilidade do toque me submerge. Levante-se, liberte-se e me beije. Nada mais.