Existia um lugar, ali perdido nas pedras que costumávamos vestir.
Um lugar que seria belo, se já não fosse irreal. Se não fosse tão frágil.
Sim, guardávamos por demais a fragilidade imersa em nosso pensar.
E por isso mesmo parecíamos ainda mais delicados.
Quebrantados a qualquer desvio.
Até que descobrimos ser intensos, fortes.
Se o lugar fora irreal de fato, já não se sabia, nem interessava.
É que a possibilidade de um lugar sincero tornava a fragilidade uma força imensurável.
Uma força capaz de manipular todas as energias do universo.
Se fechássemos os olhos, o tal lugar seria uma galáxia, daquelas que possuem milhares de cores, todas refletidas no espelho que temos na mente.
Mas se por descuido estivéssemos presos nesse lugar disperso, maleável, honesto, então a irrealidade nos deixaria cegos, perdidos em meio á algo muito grande e desconhecido.
Se nos perguntássemos de onde provêm os sonhos,
A resposta diria que essa galáxia luminosa é uma fábrica de sonhos.
Seriam os sonhos capazes de mentir?
Idealizar e imaginar jamais serão como mentir.
Afinal, o homem se compraz na utopia
Mas a realidade, sonhando,
Acabaria por admitir que naquele lugar fôssemos reais pela primeira vez.