06/02/08
Inverno
Então é isso aí,
Estamos todos doentes.
Nas unhas sujas de barro,
A culpa é dos terços.
Se soubesse o que há de rosto nesse arranca brisa,
Nem a turba lente faria o barco liso.
E é a loucura tímida do inverno,
Que recolhe ao léu o tamanho embaraço
Nas portas daquele salão no espaço,
Moram as olheiras do cansaço.
As flores gotejando eternos sons,
Folhas que me cobrem a pele nua.
Encostando a minha pele na tua.
E se houvesse algum sentido nesse ruído,
Não seria posto a frio em análise,
Se houvessem padrões nesses tiros,
Seriam a morte, eutanásia.
Suicídio concedido,
A quem não mais sente o tempo passar.
E se num dia frio eu pudesse descrever coisas belas,
Seriam sob os lençóis das nuvens que pairam lá em cima.
De tão negras que escurecem os pensamentos,
Tão densas que parecem apaixonadas pelo céu.
Ciúmes que têm do sol por chamar tanta atenção.
E aquele último toque frio do vento,
Que passa arrepiando a nuca exposta.
Espera qualquer resposta,
Como se o sol pudesse ir embora,
Pare que as nuvens pudessem brilhar.
Na pele nua,
Encosta o suspiro na lua,
Que se fosse pra nuvem ficar,
Haveria de ser noite e luar,
Na sombra que forma no chão,
Quando se contraria o inverno
E se sorri para o verão.
Nadja Lopes
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