26.12.11

A Casa

08/02/08

Uma casa na brasa,
Se contorcia e salgava,
Morava na raça.
E de noite a casa crescia,
Amava, tremia,
De dia a casa dormia.

A casa se fazia de louca,
Mas as pessoas dentro eram apenas roucas.
Se tivesse pernas a casa sairia andando,
Tivesse olhos namoraria o mundo,
Tivesse ouvidos aprenderia as belezas da vida.

Uma casa na brasa,
O fogo consumiu as cortinas,
Banhou de labareda as panelas,
Esquentou cada pedaço de vento,
Arrematou a calma da rouquidão,

Em todos os anos em que esteve de pé,
A casa nunca deu uma palavra,
Obedecia a cada murro de faca,
Sorria sem sentir os lábios,
A casa tinha boca,
Mas não sabia falar.

Uma casa na brasa,
De fogo se acerta,
A ardência subiu pelas paredes,
O calor mordiscou o teto,
A casa, em plena loucura,
Derreteu-se em agonia,
E rasgando o pranto que lhe comia,
Deu parte ás heresias.

A casa queimou de tanto amor.

Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/28833757