26.12.11

30/06/2008

As pessoas guardam as coisas.
Guardam pequenas caixinhas, cheias de bobeiras, sorrisos, regalias.
Guardam suas gaiolas, cheias de dores, loucuras, mágoas e quereres mal-resolvidos.
Alguns visitam suas caixinhas com freqüência, outros visitam suas gaiolas.
Eu não sou a favor de gaiolas.
Eu queria mesmo era não guardar nada nas tais gaiolas.
Mas como faz?
Você sente um monte de coisas, um monte de não-controles, um monte certezas que não são correspondidas, um monte de frustrações.
E essas coisas te fazem crescer mais do que os risos,
Te fazem pensar mais do que os abraços,
Te fazem se conhecer melhor do que tudo de bom que você já viveu.
Só que essas coisas, esses desesperos, não podem estar á flor da pele todos os dias, porque senão a vida seria feita de coisas ruins.
De apertos no peito que jamais vão embora,
De lágrimas que podem vir de lugares tão velhos, escuros.
Mas então a gente guarda.
Guarda para não esquecer o que já aprendeu, guarda pra se lembrar de não se entregar na hora errada, pra se lembrar de não ser tão ingênua.
Pra lembrar de não prever e acertar, pra lembrar de manter a ambição sobre controle.
No final das contas eu acho que guardamos tudo isso pelos motivos errados.
Porque já ta mais do que na cara que a gente gosta é de errar.
Errar milhões de coisas diferentes, aprender com elas ou não, e crescer mais um pouquinho. E dói crescer, dói muito.
Mas dói menos do que não crescer e repetir os mesmos erros.
Então eu acho que guardamos tudo aquilo e mais um pouco naquelas gaiolas, pra lembrar de errar diferente.
Não dá pra guardar e fingir que não vai mais errar.
Essa história de não errar é utopia.
Mas vê se varia, que errar com as mesmas coisas sempre chega a ser burrice.
E errar e fingir que está acertando é pior ainda.
Visitar as gaiolas é foda.
E ninguém está livre de esbarrar com uma ou outra de vez em quando.
Só que visitar as tais caixinhas, cheias de laços e amores, belezas, ilusões, gostos e memórias também dói.
Porque essas caixinhas estão todas no passado. E passado não volta.
Então alguém me explica porque o passado me rasga, me assombra e me morde, e ao mesmo tempo me ama, me gasta e me afaga.
E o presente é assim, tão sem gosto, sem promessa, sem compromisso,
Sem o mistério do riso, aquele mistério que hipnotiza e levanta do chão.
E o futuro esse pedaço de nada, que promete, mas não contrata, que idealiza, prevê, mas não conta nada.
Me cansa esse excesso de memória.
Me cansa essa falta de glória.

Nadja Lopes
http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/34410901