26.12.11

24/08/08

Só quero lembrar que tudo deve mudar assim, de lugar,
Que as sombras que calçam a luz são pra deixar passar,
Que os medos que sobram são pra calar.
E são os sonhos que me acordam todos os dias,
São os sorrisos que me deixam á revelia,
E a força que eu tenho ninguém pode tirar.
E não são as mágoas que me fazem companhia,
Não vejo dores no sol de todo dia,
Não quero amores que me tragam utopia,
Não forço cores pra banhar a poesia.

Mas me resta uma vontade, um gosto, um porto,
Que contrai a cada verso uma corte, um alento,
Que ilumina as verdades, os momentos, a beleza,
Que sai de cada qual que se deixa imaginar.

E ouço esse silêncio, mas não o sinto pulsar.
Encaro o nada que vai a navegar,
Se tudo for que se deixe estar,
Assim, como o tudo que transforma o pensar.

E sejam bem vindas as surpresas que me competem,
As cartas, os dias, as novas idéias, o segredo de cada segundo.
Contando que me pertençam, contanto que nada seja apenas parcialmente meu.
Não quero restos, pedaços, frações, metades, divisões.

Que tudo mude sempre, para que se guarde incessantemente,
A vontade de nascer.
Mas que a descontinuidade não alimente qualquer possibilidade de largar de lado a vontade.
Não me quero lagrimar novamente.

Quero o som do vento a regar o pensamento,
A força a levantar por entre os mares,
A realidade que define o tempo,
As possibilidades do que seja bom.
Quero a marca da virada no castelo,
A beleza dos dias no encanto,
A energia que carrega um rio.

Quero tudo que seja real,
E quero que o teatro das ilusões seja o teatro das verdades,
Para que a lua que nos assiste todas as noites, sinta orgulho do que vê.

nadja lopes

http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/36547820