26.12.11

21/07/08

Não quero mostrar essa parte,
Que late, esperneia, se bate,
Lança chamas e eterno engate,
Nas portas de qualquer entrave.

Não quero avançar o bote,
No que diz respeito a outro lote,
Que se banha, arranca, acanha, seduz.

Quero o que seja singelo,
No porte louco do castelo,
Nas ruas sem fim que se alargam a cada portão.
No braço do laço que não existe.

Quero ser livre,
Tão livre que se sustente o som de todo o mundo em uma só voz,
A vontade de todas as pessoas numa só mão,
A loucura sem sentido que é existir em vão.

Quero desligar o botão que me liga assim dessa forma,
Que me controla a cada gota nova,
Que derrota o orvalho na beira da flor.

Escuto tantos tempos diferentes que quero parar.
Quero parar e ver a chuva cair.
Que aqui quando não chove não cheira a gosto nenhum.

Quero abraçar os versos,
Que de tão meus refletem o mel que me lava a alma,
Que de tanto se entregar não sobra mais nada.

Quero o que o eu permite,
Sem qualquer sombra de limite,
Sem pensar que o depois existe.
Se é depois do que existe.
Se é que é o que não existe.

Me permito existir,
Sem que qualquer sombra me limite.
Que resista a longa ponte que tramita,
Que agora jaz e inexiste.

Aqui dentro o resto existe.
Ali de fora o tempo é triste,
Ai de onde é que se é livre?
Onde quero, sou, permito e existo,
E também sou livre, quando me permito inexistir.

nadja lopes

http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/35286133