26.12.11

12/07/2008

12/07/08
A verdade é que eu não quero falar sobre isso.
E talvez, pela primeira vez, eu não queira simplesmente pensar.
Quem faz isso é um eu.
Um eu que eu desconheço, que eu admiro, que eu não quero nem ver.
E que me assusta como um dia frio, daqueles que não têm ninguém pra te esquentar a alma.
Nem todas as pessoas sentem esse tipo de frio.
Esse meu eu sente muito frio.
Esse é um eu diferente dos outros, é um eu que eu não me orgulho, que eu não controlo.
É o eu que só existe quando eu não quero nada, ou melhor, só existe quando eu quero tudo.
Não querer nada é de certa forma querer tudo.
Um tudo que não foi premeditado.
Que não foi delineado.
Que não foi sacudido e resumido em outras dez palavras sem sentido.

Esse eu é a essência do mundo.
Não do seu mundo, esse eu é a essência do meu mundo. Meu viver assim descalço, sem aquelas cerimônias todas que as pessoas precisam para ser verdadeiras.
Se eu disser que sinto de fato necessidade dessas cerimônias estarei mentindo.
O que eu preciso é de realidade. Preciso ser real.
Preciso dizer o que eu penso sobre um milhão de coisas, ou preciso mesmo é parar de pensar.

Porque pensar é pensar.
É uma ação hipotética. Sempre o será.

A verdade é que eu quero falar sobre isso.
Mas não quero falar com ninguém, nem comigo.
E os dias continuam frios, o meu eu continua livre, absorto, desenvolvido.
Eu até gosto desse eu. Ele não enxerga limites.
Ele se faz livre. Pena que nem todas as versões vêm assim. Algumas vêm limitadas, presas, gastas.
Algumas são por demais céticas, e não enxergam a beleza espontânea latente em qualquer situação.

Posso aprender com esse eu. E aprender não é uma ação hipotética.

Eu amo esse eu.
Talvez esse amar-se assim tão sincero, só exista quando o eu mais louco está no leme.
Esse eu que não mede conseqüências, não foge de medo diante do desconhecido.
Que realmente não se importa em errar.
Não se importa em não saber.

Não saber quem sou eu.



Nadja Lopes

http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/34910131