Estava de pé diante do mundo,
Lá longe o horizonte descia em uma curva só.
E essa curva bem que poderia tatear seus dedos.
Sentia na boca aquele vento,
E o gosto cego era o peito, a fronte, lábio, língua.
Estavam vivos, todos aqueles sons,
E o único momento surdo era o gotejar daquele céu.
Lavando tudo o que já não é.
Estavam todos á voar
E eis que batiam as asas todos de uma vez,
Como se aleijados, estivessem a voar sozinhos.
Andava pelas nuvens,
Com os pés encostando-se à grama,
Como que fazendo morada.
E se fosse tudo ou nada?
Nadja Lopes
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