26.12.11

04/02/08

O rumo incerto tem a beleza do deserto que paira em teus pulmões.
E a sensação de estar vivo que te liberta a alma,
É também a morte que te seduz a calma.
Se é que todos têm ambas partes do desafio...
No corrimão deste navio.

Toda certeza é pouca perto do que não se sabe.
Toda entrega é nula em meio ao que não seduz.
E esse sorriso vago, assim tão de lado, nada diz.
E o nada é assim tão largo, que não te sustenta o passo,
O verbo é o espaço.

Mas do que falam todos vocês,
Quando estão de boca fechada?
Sei que falo e canto sem abrir a boca,
Sei o sentido inverso do que te conduz.
A pedra no sapato que te barra o tato.

Naquela casa de janelas abertas,
A chuva não molha,
O sol não queima,
E o tempo não passa.
A cama não deita e o estrado é passado.

E aquele som molhado,
Queima, fere, mata, embala e dança.
No rumo curto do destino,
Faz tempo que não se vive,
Faz dias que não se toca o chão.

nadja lopes

http://www.fotolog.com.br/nady_saraiva/28677233