Você tem nas mãos aquele resto de vento,
Que passou raspando na orelha,
Dando passagem, ornamento, paisagem.
E ainda na marcha, passa reto no resto de rosto.
Quem era quem naquela hora, ninguém sabe.
Talvez precise um pouco de loucura,
Pra te colocar de pés no chão.
Quem sabe aquela inconseqüência que tanto te corteja a razão,
Seja o pão de cada dia na roda da ilusão.
Quem quer um pouco da verdade,
Transborda o corpo de sonho.
Mas a realidade é que nada é tudo,
No tudo ou nada do teu olhar.
E quem sabe é uma sombra,
Marchando na sobra do teu silêncio.
Pedindo um pouco do que há de melhor na vida.
Na minha boca passa amor e glória,
E na voz uma nesga de verbo,
Que ninguém sabe explicar.
E eu quis pela primeira vez o sentido estático das coisas.
Vontade domada no corpo, fruto da mente.
E nunca ninguém te possui a mente,
Nunca ninguém te decifra o mistério.
Na diferença que você tanto procura,
Mora um rodízio de idéias,
Uma cor latente,
Mora um sentido dormente.
Que na demência do tempo,
Ninguém sabe sentir.
Nadja Lopes
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