18.3.11

O não saber

Enxergando,
Enxugando o seus rastros pelo meu corpo,
Enxotando a saudade daqui.

Varrendo campos inteiros com o olhar,
Sem colorir uma gota de som,
Sem apreender ou registrar nem um rosto.
Sem agarrar uma lua sequer.

É um vazio que não me dói,
Mas é um vazio que faz sangrar os poros.
É um vazio que carrego durante os dias,
Que alimento durante as noites.

É um não saber,
E o não saber me pinga na alma.
O não saber arrasta o fim na sola do pé.