13.11.10

1903

Sabiam-se as palavras, os tons, as ideias.
E não se sabia nada.
Queria prever. Mortificar, amortecer.
Amortecer a queda.
Caiam como lágrimas, sentinelas.
Cores escuras, o negro olhar.

Era uma dor. Um silêncio.
Uma morte.
Uma parte dispersa, uma peça errada,
Um tiro no pé.
É que nada, de nada serve.

Uma loucura, um espelho,
uma jornada.
Um caminho, redemoinho,
pensamento.
Não. O não era tudo.
O não era o ditado.

O não teria ruido uma torre de pedra,
As mãos de bronze que respiravam imóveis.

Era meu o sonho, a ingenuidade, o pouco de fel.
Uma trave, uma trava, um orgulho.

Me restava o mundo.
E pra quê?