6.9.09

Amor?

Existem duas coisas absurdamente atraentes pra mim: responsabilidade e decência. O charme per se não compensa nada disso.
Eu me sinto uma velha nessas horas. Porque uma garota quer um cara gato e legal. Mas na boa, defina legal. Porque legal simplesmente não me parece suficiente. Eu cansei de ser a pessoa responsável da relação, que cuida das pessoas, que releva. Na boa, eu não quero ter que ser responsável por mais ninguém, e eu quero ser cuidada. Eu posso ser forte, mas eu também preciso disso.
Quando eu era mais nova eu era uma idealista, achava que o amor muda, transforma e realiza tudo, quando existe de fato. Mas eu não acredito mais nisso. O amor é um agente oculto, que só realiza por debaixo dos panos. Quem toma as rédeas da vida somos nós. O amor faz parte de nós ou não. E se não fizermos nada, não é o amor que vai resolver a situação.
E tem outra coisa, imagina: o amor está lá, na expectativa de ambos os lados. Mas ninguém faz nada, um espera o outro dar o primeiro passo. Cara, sejamos sinceros. Se você tem alguma coisa pra dizer, diga. Quando você não expressa a sua verdade das coisas o mundo todo sai perdendo. E eu não digo isso metaforicamente.
É que o amor parece algo de importância suprema, exacerbada. As pessoas pensam que o amor faz mal, que o amor é uma prisão. Eu não concordo. Afinal, basta ter mãe para saber o que amor. E o amor está impresso em diversas situações. Quando você dá atenção para um amigo que está precisando, sinto muito, isso é amor. Então não me venha dizer que amar é difícil. Amar é fácil. Difícil é se relacionar com as pessoas, porque ninguém é igual. Amar é tranqüilo, é simples.
Agora, se você quer passar pela vida sem amar ninguém, odeio ter que te contar: definitivamente isso não vai acontecer. É impossível. Um dia você vai se pegar fazendo algo por alguém só pelo prazer de ajudar, e se você não sabe isso também é amor. Porque o amor é composto dos pequenos favores, dos abraços, dos sorrisos. Se você tem medo do amor, não saia de casa. Se você tem medo do amor, você tem medo da vida. Em última instância, o que vale a pena na vida, os bons momentos todos: são e serão permeados de amor. Coisa pouca: sorrisos sinceros, risadas, gargalhadas, compreensão.
Então ame, ou não ame, mas jogue limpo, diga o que você tiver que dizer, não se importe com as conseqüências de ser sincero. Se expor não é algo de todo ruim, e a verdade, mesmo na pior das hipóteses tem suas conseqüências positivas.
É por isso que eu gosto de decência, porque se você é decente, você joga limpo. E se você é responsável, não precisa de babá, você cuida da sua vida, que nem eu cuido da minha. Responsabilidade e decência são pré-requisitos.