Pergunto-me se um dia as coisas serão fáceis.
Se eu conseguiria registrar todos os sóis que brotam nos teus olhos.
Se meus dias fossem maiores, eu poderia apoderar-me dos teus sorrisos.
E se o vento não me soprasse assim por dentro, eu não sentiria nada.
Quantas vezes eu não odiei esse vento.
Pergunto-me se os dias serão sempre belos como agora,
Se me posso sempre correr assim com os pés triscando no chão.
Queria saber se me perco ou se me acho nessas letras.
Se me jogo ou me resgato nesse céu,
Se eu acredito que posso tocar as nuvens com meu pensamento.
No tempo do pensar, qualquer coisa está a um pulso de distância.
Um pulso de coração.
Inflamo-me de fora pra dentro, essa é a verdade.
É a falta do estímulo que me gela do terço de fora pro terço de dentro.
Porque é impossível não tocarem-me os teus sentidos.
É impossível não tocarem-me os teus não-sentidos.
Se um dia as coisas forem fáceis, eu serei uma sombra, e o vento será uma brisa.
Brisa quieta, silenciosa, pensativa.
Sombra tediosa e inerte, furiosa.
Sombras e brisas não arrebatam sentidos.