19.12.08

Silêncio

Quisera admirar o silêncio, colaborando de todo com a presença deste dia.
A cor do céu que instiga maravilhas se calou hoje em toda poesia.
Se existisse inverno nesse lado da apatia, seria calado então na palma da alegria.
O sol, que agora inexistia, partiu-me em vinte léguas, o silêncio então dormia.
E as cidades se calaram, de mãos falantes, punhos cegos, euforias.
As mãos eram o ditado, alegoria.
Os punhos, meras hastes dizendo o que queriam.
Era dia de balançar as palavras, para ver se o silêncio se mexia.
Mas eis que ele lançava sua calma, em clara sintonia, e me derreteu a alma sem calar sua existência.
O que fazer com tamanha simpatia?
Uma alma calada, não verte poesia.
Mas a noite com suas traças enfim caia, e a voz pôde, mais uma vez, cantar sua euforia.
Descobri então que o silêncio sempre fora minha sina, e com suas mãos firmes me prendia dia, noite, acontecia.
Mas não era simples o calço em demasia, as noites sempre serão vozes em meio á mãos vazias.