O silêncio escorria pelas paredes e o viés do encanto se calou. Eles sabiam o que era o riso, mas este se partiu no sarcasmo. Na pele se sentia o calado do toque. As mãos se chocavam com a mecânica das palavras, e, portanto, negavam-se.
As horas caminhavam, galopavam, mas os corpos partilhavam da sinceridade do não-sentir. A desistência de cada pedaço de sonho, pelo caráter infiel da realidade. Não era possível amar assim.
Existia um rachar dos sentidos. As rosas que cresciam nos jardins nada sabiam do desmoronar das idéias. O céu permanecia intacto. As pessoas caminhavam nas ruas, com seus egos, suas fantasias, seus mitos. Mas os nossos sentidos permaneciam ligados e partidos. Nos deliciávamos com os sonhos, até que eles se calaram para todo o sempre, e se debruçou sobre nós o incólume partido da verdade, colecionando os pedaços do que já não é.
E de tantos cacos, formou-se um mosaico de prós e contras, que se materializava ao ritmo dos ponteiros no relógio da sala. No encardido dos lençóis, no molhado das toalhas. No andar dos saltos do outro lado da parede.
Não se mantinham os disfarces, mas as fantasias permaneciam. Ficavam á espreita durante os encontros, sem nunca se consumar por completo. Afinal, um dia não haveria mais fantasia alguma, pois os sonhos cresciam por outros horizontes, e em breve aquele pequeno mundo, ainda que aconchegante, deixaria de existir.
A verdade surgia como um ser desconhecido, sempre prestes a ser desvendado. Mas que continuava a seduzir-nos com seus mistérios. Sempre que a verdade era séria e dilacerante, votávamos o rosto para o outro lado, e começávamos a procurar novamente.
A busca pela verdade seria infinita, até que os sonhos se consumissem por inteiro e calassem o indagar das almas. Até que tudo fosse perfeito, e não houvesse mais tremor e medo no inteiro dos mundos.
Até que o meu mundo se consumisse por inteiro de tanto sonhar, transformando a busca em eternidade. Pois que enquanto vivermos, o humano de nós continuará com suas perguntas e insatisfações, dançando pelos salões, deitando-se no chão, fantasiando tantos outros mundos, e mantendo as paredes silenciosas como o seu desencanto.
Pena que aderimos ao natural vai e vêm das situações. Agora a beleza se foi, os sonhos murcharam, e as rosas lá fora ainda reluzem com o orvalho do inverno. E ainda que o orvalho se transforme em chuva e acaricie nossos rostos com o tocar de suas mãos, e o calçar das idéias saia voando, mordiscando a pele da nuca com o poder visceral que banha os nossos corpos de suor, estaremos cansados demais para acreditar em qualquer coisa que não faça sentido. Permaneceremos calados, apenas cultivando outros tipos de sonhos: aqueles aos quais nos basta dormir para imaginar.
As horas caminhavam, galopavam, mas os corpos partilhavam da sinceridade do não-sentir. A desistência de cada pedaço de sonho, pelo caráter infiel da realidade. Não era possível amar assim.
Existia um rachar dos sentidos. As rosas que cresciam nos jardins nada sabiam do desmoronar das idéias. O céu permanecia intacto. As pessoas caminhavam nas ruas, com seus egos, suas fantasias, seus mitos. Mas os nossos sentidos permaneciam ligados e partidos. Nos deliciávamos com os sonhos, até que eles se calaram para todo o sempre, e se debruçou sobre nós o incólume partido da verdade, colecionando os pedaços do que já não é.
E de tantos cacos, formou-se um mosaico de prós e contras, que se materializava ao ritmo dos ponteiros no relógio da sala. No encardido dos lençóis, no molhado das toalhas. No andar dos saltos do outro lado da parede.
Não se mantinham os disfarces, mas as fantasias permaneciam. Ficavam á espreita durante os encontros, sem nunca se consumar por completo. Afinal, um dia não haveria mais fantasia alguma, pois os sonhos cresciam por outros horizontes, e em breve aquele pequeno mundo, ainda que aconchegante, deixaria de existir.
A verdade surgia como um ser desconhecido, sempre prestes a ser desvendado. Mas que continuava a seduzir-nos com seus mistérios. Sempre que a verdade era séria e dilacerante, votávamos o rosto para o outro lado, e começávamos a procurar novamente.
A busca pela verdade seria infinita, até que os sonhos se consumissem por inteiro e calassem o indagar das almas. Até que tudo fosse perfeito, e não houvesse mais tremor e medo no inteiro dos mundos.
Até que o meu mundo se consumisse por inteiro de tanto sonhar, transformando a busca em eternidade. Pois que enquanto vivermos, o humano de nós continuará com suas perguntas e insatisfações, dançando pelos salões, deitando-se no chão, fantasiando tantos outros mundos, e mantendo as paredes silenciosas como o seu desencanto.
Pena que aderimos ao natural vai e vêm das situações. Agora a beleza se foi, os sonhos murcharam, e as rosas lá fora ainda reluzem com o orvalho do inverno. E ainda que o orvalho se transforme em chuva e acaricie nossos rostos com o tocar de suas mãos, e o calçar das idéias saia voando, mordiscando a pele da nuca com o poder visceral que banha os nossos corpos de suor, estaremos cansados demais para acreditar em qualquer coisa que não faça sentido. Permaneceremos calados, apenas cultivando outros tipos de sonhos: aqueles aos quais nos basta dormir para imaginar.