2.3.08

Adeus

Me diz assim ao pé do ouvido,
Esses suspiros são o que ninguém paga pra ter.
E num resto de dia frio, traz assim o verso, quero ver o verde que já foi.
A chuva que dobra na esquina é pra cair na sua janela,
E se misturar com a sua chuva, que desce de um jeito que só ela sabe,
E se desgasta pelas curvas do seu rosto.
E não é de tristeza, não é de leveza, não é de praça ao ver de todo o céu azul,
Que agora cinza banha de vértices as suas idéias, as suas loucuras.
Te vejo abrir-se como um silêncio se abre de cores quando dá o seu adeus ás palavras.
E quando são libertos sons de novas notas, e o silêncio definha,
Então são os olhos que eu paro de encarar que soltam cada parte do que é meu,
Quando nada quero falar.
E se um dia eu vir passar o mesmo velho, negro, teu olhar,
Digo o adeus que te corteja as mãos quanto me quero ir.
E deixo assim de lado meus pés,
Para que não escolham sozinhos para onde ir.
Como costumam fazer quanto sou eu que não sei como chegar, nem como sair.