Tenho um sol piscando estrelas,
E ando glissando cada segundo em milésimos.
Se queres soprar ao vento leve forte vento,
Cala esta pontada de chuva de verão e de inverno.
Admira-se o céu a possuir cada sol,
Admiro-me possuir cada diferente dia como único dia.
Rompe-se o tejo,
E acho-me na cidade mais bela,
Levitando por estrelas e constelações.
Verdemente me consola este tempo azul...
Correr e voar,
Talvez escapar e voar,
E no bater de portas tão vermelhas,
Tenho todo o poder a escorrer escolha.
Talvez o nada queira correr e voar.
E não fossem os pretos girassóis em brasa,
Perderia-me por entre gélida paz e estonteante cor.
Romper com cada regra em vida,
E deixar que seja morte a remediar.
Deixar que não existam erros,
Andar sem economizar espaço,
Amar sem teorias da conspiração,
Crescer por todas as hastes sem delimitar esquinas,
Passar por todos os templos e não deixar vestígios,
Ser um desafio vivo para cada inspirar,
E poder desafiar os limites da imposição.
Existir é confabular becos sem saída,
E trazer o final à tona.
Que tenha fim tudo que existe,
Mas que restem os resquícios da memória vivos a pulsar na mente.
Pois é nela que se guardam as mais raras fotografias e os mais belos altares.
Que sejam altares para si mesmo,
Valorizando cada pedaço de força e fraqueza,
Fragmentando idéias e incompatíveis sois.
Que tudo se entenda como mundos afins,
E memórias sejam novas histórias a serem contadas.
Dores seriam espaço para novos silêncios,
Se fossem silêncios luto a chorar.
E calma seria ouvir e querer calar,
Se não existisse nem vontade nem pensar.
Já não quero calar os espaços-silêncio que pairam no ar.
Quero gritar a contida essência do ser ou não ser,
Que tudo apenas seja!
Condenem-se a si mesmas as estáticas tradições,
Se anulem e fechem os caminhos sem ramificações,
Não se pode deixar que o externo domine o interno.
Afinal quem decide o destino mora aqui dentro,
Governa o meu microcosmo,
E transcende as expectativas de outros mundos...
Merecer outras praias e dias é dialogar.
Transformam-se épocas inteiras em segundos que se valem por séculos.
E dias inteiros são apenas um só sentimento no final das contas...
A intenção não é nada sem a intensidade desejada,
No final só importa o que foi.
Essa regra se adequa a todos os mundos...
Chega do eruditismo barato de todos os tempos,
Nas chagas das ações repetidas em tons diferentes,
Chega de dançar conforme a música,
Que seja o que for contanto que seja completo.
Que os erros sejam sempre calculados medidos e ignorados.
Não se pode mais ser sem querer ser.
Não se pode mais anular facadas através de desculpas.
Que os erros sejam sempre erros, as falhas sempre falhas,
As intenções interrompidas meros sonhos,
E que a vida se transforme numa roda inflexível,
Arrotando humanidade e devorando a fragilidade.
Sensibilidade é apenas uma faceta do destino,
Dizimada por indefesas lágrimas vãs...
Seriam vidro se não fossem reais as dores,
Seriam água se não fossem castanhos olhos,
Seria paixão se não fosse amor-paixão,
Nada é incondicional enquanto dura.
Que sejam seguros os becos escuros no meu soluçar..
E que tudo se transforme,
Mesmo que disforme,
Em qualquer definição concisa,
Para que sejamos todos um diferencial em si,
Mesmo que desinteressante glória,
Mesmo que vã filosofia,
Destoem os sinos e sejamos felizes,
Enquanto não houver equilíbrio entre individualismo e possessão,
Existirão infindos conflitos nos mares e sois...
Que nada seja incondicional enquanto dure.
By nady
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