24.5.05

Libertário

A última ceia no seio da vida.
E na ausência de desfeitas certezas,
Existem apenas definições...
Não mais devaneios vitalmente mortais,
Não mais sensações ou desejos,
Nada de rostos-reflexo nessa água tão suja.
Correção da errata: sonhar.

Sopra este vento sem causa e sem dor
Á seduzir cada mar sem pedir nada em troca,
Não se cortejam mais estrelas serpentes no ar...
Querer é romper e causar,
Domar a incerteza no ar,
E competir com uma estrada infinita
Que faz a curva nesta torre de marfim.

Imagens de tortas belezas,
Rompantes em chama...
Surpresas deveras dormentes,
Sóis no gelo tórrido da mente,
“Aqui jaz um sorriso...”
Que esteja no tempo a dançar,
Como estrela serpente pairando no ar,
Flamejando o passado recente,
Absorto na água do olhar.

Recoberta íris,
Que esteja a luz a contar histórias,
Tescer memórias,
Arfar suspiros...
E que sejam histórias carregadas de asas
Desprovidas de amores,
Satirizando os contos de fadas.

Voam idéias...
Discretas armas,
Sutil defesa,
Cerrado o cerco.
Vil o tempo,
Calçada a alma,
Armado o cenho.
Perfeito sonho.
Cintila a calma,
Por triste queda...

Em azul-terra,
Está vencido o credo,
Num céu marrom,
No qual pássaros perderam asas
Por não voar.

E vence acesa garra,
Que aqui jaz morta.
Sem brandos sóis,
Sem indefesas luas.
Voam armas,
Por sutil cerco,
Nessa vil calma.
E armado o sonho,
Cintilante a queda...

Que reine paz,
Em todo credo e alma,
Para todo azul e cinza céu.
Porquanto mesmo que sem asas
Quero voar...


by nady

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